Revista Entreverbos

Revista-laboratório do curso de Jornalismo da Facinter - Ano 4 -2ª quinzena de outubro

Como melhorar a autoestima

Claudiane Santos

Rafael Jhony Silvério

 

Diferente do que normalmente se pensa, a autoestima não está ligada somente aos sentimentos que a pessoa tem de si mesma. Ela vai além. A ansiedade, a depressão, o medo do sucesso, o abuso de álcool ou drogas, as deficiências na escola ou no trabalho, o abalo emocional, o suicídio e até crimes violentos, todos estes entre outros se aplicam  ao tema autoestima.

Lidar com tudo isso não é fácil. De acordo com o professor de psicologia da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Leandro Kruszielski, a pessoa necessita buscar autocontrole para estar adequada à vida e assim saber lidar com as cobranças. “É um termo muito banalizado e muito sobrevalorizado de senso-comum, de modo que a impressão de boa parte da população depende de quase todo nosso agir. O que está longe de ser verdade. Tampouco é olhar no espelho e dizer que se ama. Mais do que isto, é possuir confiança em si mesmo e não buscar ambientes, pessoas e comportamentos que possam trazer prejuízo pessoal e social”, conta.

A individualidade da pessoa que é segura e confiante transparece e, devido a isto, ela está mais suscetível a ser vista. As realizações acontecem nas áreas financeira, profissional, emocional, sentimental, familiar e social. Como consequência, conquistas vêm no âmbito geral, pois a paz de espírito resulta em realizações. Diferente de uma vida sem aceitação e sem apreço.

“A estima vem do outro, vem do apreço da família, dos pares, da comunidade e da sociedade e isto acaba refletindo no amor-próprio. De modo que alguém que convive em determinada situação social, bem ou mal, sempre vai ser influenciado pelo padrão esperado e o quanto os demais julgam segundo o padrão. No entanto, isto também pode ser superado na busca da transformação da sociedade”, acrescenta.

Autoestima é uma ferramenta que é avaliada por cada um ao seu próprio respeito. Quando o emocional desequilibra acarreta vários transtornos, como stress, ansiedade, depressão, preocupações, medos, entre outros.

Edson Valdecir Vicente, 36, auxiliar de produção, diz que quando criança aos oito anos já trabalhava. “Meu pai era muito agressivo, os colegas da escola tiravam sarro de mim por causa do meu chinelo rasgado. Resolvi, então, abandonar os estudos. Minha autoestima era baixa demais”, desabafa.

Foi de família pobre e infelizmente entrou para o mundo do crime. ”Não tinha sentimento, amor e em Deus não acreditava. Fui de família carente, entrei para o mundo do crime e só pensava em roubar”, conta.

Em seguida, o auxiliar de produção conheceu Mônica, sua esposa. Este foi momento em que  sua autoestima começou aparecer, mas em um mês de namoro foi preso, e ainda na frente dela. Foi condenado a cumprir um ano e seis meses de cadeia. Para ele o mundo desabou. Depois de acertar as contas com a justiça, Valdecir foi morar com sua namorada. “Fomos viver juntos e em seguida comecei a frequentar à igreja. Arrumei um trabalho como servente de pedreiro. Com um trabalho honesto, a busca por mudança de vida foi crescendo e junto a minha autoestima. Minha esposa me incentivava o tempo todo, inclusive voltei a estudar”, enfatiza.

Com o retorno aos estudos, o auxiliar de produção tinha muita vergonha, pois na  sala de aula só haviam pessoas idosas. Contudo não desistiu e em um ano e meio concluiu o ensino fundamental. Sua esposa esteve em todo o tempo o motivando, inclusive disse que seria importante também investir no curso de mecânica básica, e foi o que fez. “Em seguida fui surpreendido por Deus, quando participei de uma entrevista na empresa WHB Fundição e fui selecionado. Não acreditei muito, mas o Senhor Deus é maravilhoso. Estou com minha esposa há três anos e neste período muitas bênçãos foram alcançadas”, conta alegremente.

Diferente da história antiga, Valdecir agora aprendeu a respeitar o próximo, crendo em todo o tempo no apoio da família. “Minha visão sobre a autoestima é igual ao olhar de uma águia sempre por cima. Monica me mostrou que posso ser exemplo para meus filhos, família e amigos”, concluiu.

 

Descaso por parte do Estado

quando se fala em inclusão social

                                                                                                                                             

Crimes violentos também são resultados de baixa confiança. A inclusão social é também um assunto muito discutido e  traz receios quando se fala em oferecer mais oportunidade aos excluídos. Mas e o papel do Estado? Será que o governo apoia as pessoas que anseiam por mudança?

Para o sociólogo, Doacir Quadros, a realidade é bem diferente quando se fala em inserção civil, pois os responsáveis que representam o governo necessitam de um trabalho maior e mais apurado. “No processo de reinserção social do ex-detento, por exemplo, deve-se ressaltar o papel do homem na sociedade, as regras de relacionamento, os princípios morais, éticos, religiosos, a qualificação da mão de obra, entre outros. Entretanto, o Estado tem sido ineficiente nesse processo de devolver inclusão social ao ex-presidiário, o que acarreta para o poder administrativo gastos com soluções penalizantes e aumento da população carcerária no sistema prisional”, explica o sociólogo.

Terapeutas, psicólogos ou até psiquiatras identificam esta falta de confiança e má estima nas pessoas. E desenvolvem métodos para que esta ideia seja mudada.

Por causa de problemas que de uma hora para outra desmorona, uma opção é buscar ajuda com tratamentos. Então o excesso de bebida, a compra por impulso e a preocupação com a aparência física são percebidas no decorrer do método do recurso terapêutico. “O que pode estar intrinsecamente relacionado à preocupação da paciente é o fato de não se aceitar, não se sentir bem com seu corpo e aspecto físico, tenta-se então, através da compulsão preencher este vazio. Contudo, acreditar em si mesmo é uma necessidade fundamental para sua existência. Com autoconfiança, todos podem chegar lá”, diz também a psicóloga Elis Charello.

Segundo a psicóloga, existe na sociedade uma cultura da aparência, a beleza adquire conotação de aceitação ou rejeição.  Quando não se obtém êxito na construção de uma autoimagem positiva pode-se criar uma inadequação nas relações que se estabelece. ”Os padrões de beleza criam em nós um eu idealizado ao qual deve se conformar para ser adequar ao grupo ao qual pertence, podendo ser tanto na empresa onde trabalha, pelas garotas ou pelos meninos da turma. Na realidade, do ponto de vista psíquico, nada disso contribui para a nossa autoestima”, ressalta Elis.

“Uma palavra amiga é sempre bem vinda. O conselho de familiares me ajudou a ver o caminho certo”, afirma a vendedora Marli Camargo, 22, que quase abandonou tudo, principalmente o seu trabalho. Segundo ela, o apoio dos familiares a ajudou a vencer este medo.

Continuar a jornada estava bem difícil, então o desânimo começou a espantá-la. Certamente a presença dos parentes teve bastante importância neste momento. Esse auxílio foi essencial para que sua autoconfiança aumentasse. “No trabalho percebi que eu era capaz de dar a volta por cima, e as minhas vendas foram acontecendo naturalmente”, conclui.

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