• Por Karina Zanyck

Por que tão colorida?

Pessoas com cabelo em tons considerados neutros ou "normais" passam uma credibilidade enquanto o cabelo colorido é visto com maus olhos.

Representante de vendas diz que ainda é agredida verbalmente por causa do seu cabelo. (Crédito: Karen Fernandez)

O preconceito sempre esteve presente na nossa sociedade e atinge aqueles que são considerados diferentes. Não só pessoas negras e de outras religiões sofrem com isso, mas também pessoas que tem o cabelo colorido, um estilo diferente. Muitas jovens desde a adolescência até a fase adulta mudam seu visual, mas, na maioria das vezes, isso não é aceito pela sociedade.

A estudante de jornalismo Nayara Lira diz que "o cabelo transmite responsabilidade, transmite seriedade. Se você tem o cabelo colorido, você é colocada como a criança, a adolescente eterna, a pessoa que não é responsável." A estudante afirma ainda que já teve que mudar a cor do seu cabelo para conseguir emprego e ser aceita. Entretanto, ela confessa que "a primeira semana que pintei meu cabelo de preto, eu não me reconhecia. Eu ainda não me reconheço. ”

Em alguns ambientes de trabalho o cabelo colorido é mais aceito, como, por exemplo, em lojas, mas algumas profissões exigem que as pessoas mudem seu visual, especialmente áreas como Medicina, Direito e Jornalismo. "Eu imaginava que a área de Jornalismo não tinha tanto preconceito e percebi que realmente tem. Cheguei a ser usada de exemplo em uma aula: do que não ser caso você queira seguir a profissão do jornalista”, diz Nayara.

A representante comercial de vendas, Karen Fernandez, diz que também já teve que pintar o cabelo de preto para arranjar um emprego e sofreu preconceito. “Em funções como a de recepcionista, muitas pessoas não aceitam que você seja colorida e tenho amigas que já sofreram com isso apenas tendo o cabelo cacheado... Me chamavam de vaca colorida na escola, falam que meu cabelo está pegando fogo na rua, o tempo todo recebo agressão verbal por conta dele. Confesso que alguns anos atrás era bem mais frequente o preconceito. ”

Karen ainda diz que “muitos já me perguntaram como consegui emprego sendo assim... Assim como tatuagem não define a capacidade de ninguém, uma cor de cabelo também não. ” A reportagem da EntreVerbos tentou entrar em contato com empresas de Recursos Humanos (RH) para saber sua opinião sobre o assunto, mas, infelizmente, não conseguiu resposta.