Direitos x realidade: o dia a dia das pessoas com deficiência em Curitiba

Dificuldades encontradas por pessoas com deficiência que moram na cidade de Curitiba.

 

Wilson Madeira, 29 anos, cego há 25, conta sobre as dificuldades que enfrenta no percurso da sua casa, em São José dos Pinhais, até seu trabalho que fica no centro de Curitiba. (Crédito: Fernanda Bueno).

 

Um dos principais fatores que impedem a inclusão social das pessoas com algum tipo de deficiência é a falta de informação. Mas, para que seja possível essa inclusão, além da expansão da informação, é preciso também acessibilidade nas ruas, nos transporte e no acesso à tecnologia. Exercer o direito de ir e vir é para todos, e para que isso seja possível às pessoas com deficiência, existem leis que compõem normas gerais sobre a integração, proteção e contribuição para melhor condição de vida delas.

 

Durante a Copa do Mundo, a Prefeitura Municipal de Curitiba realizou algumas obras para receber os turistas. Entre as obras, houve também a parcial adaptação para receber as pessoas com deficiência, principalmente em pontos turísticos da cidade. Porém, não somente os turistas precisam ser bem recebidos, os moradores da cidade também precisam ter seus direitos de acessibilidade. As ruas, sinaleiros, transportes e travessias da cidade necessitam estar devidamente equipados para proporcionar isso a todos.

 

A Prefeitura Municipal de Curitiba informa que as pessoas com deficiência têm acesso a um serviço de micro-ônibus (Acesso) que busca a pessoa na porta de casa, leva até onde ela precisa ir e depois deixa novamente na porta de casa. Existe também um cartão (Cartão Respeito), instaurado em abril desse ano, que prolonga o tempo de travessia em 31 cruzamentos da cidade. Em contato com a Prefeitura, recebemos a informação de que outros projetos estão sendo analisados e aprimorados para proporcionar melhorias e igualdade à todos.

 

 

 

 

O Censo brasileiro de 2000 aponta que 16,5 milhões de pessoas sofrem deficiência visual e 159 mil não enxergam. Nas ruas de Curitiba, um deficiente visual encontra dificuldades para chegar ao destino, não só pelas falta de adequação de alguns elementos de urbanização, mas também por algumas pessoas que não respeitam os recursos que são destinados à eles.

 

Mobilidade tecnológica pra cegos

 

Com o avanço da tecnologia, as exigências do mercado de trabalho, empresas, mídia, e outros meios, exigem cada vez mais a presença das ferramentas que são oferecidas por ela. Não poderia ser diferente com a pessoa com deficiência visual, que hoje usa softwares que possam lhe proporcionar acessibilidade em navegar pela rede, trabalhar e manusear um dispositivo como qualquer outra pessoa.

 

 

 

 

 

O Grupo Uninter conta com o Instituto IBGPEX, que atua nas áreas da Assistência Social, Responsabilidade Social Universitária e Responsabilidade Social Empresarial, proporcionado às pessoas com deficiência conhecimento dos softwares e dispositivos utilizados como ferramentas para trabalho e estudo.

 

Acessibilidade para todos

 

Segundo o site da URBS, 93,73% da frota de ônibus possui equipamentos para pessoas com deficiência e no transporte público os elevadores se destacam como a melhor forma de acessibilidade para eles. Não só os cadeirantes, mas isso também engloba as pessoas que não podem utilizar escada, como, por exemplo, as pessoas que utilizam muletas para se locomover.

 

Muitos com essa dificuldade precisam fazer trajetos longos para consultas, tratamentos e trabalho, e, para isso, utilizam o transporte público. Entretanto, a reclamação é que os equipamentos não são devidamente verificados com frequência, muitas vezes estragam e os elevadores ficam inúteis.

 

Everson Oliveira, morador do Bairro Alto, usa muletas há quase um ano, depois de sofrer um acidente doméstico onde a patela do joelho saiu do lugar. Hoje sua perna não dobra devido aos pinos que foram implantados. Ele faz tratamentos fisioterapêuticos para recuperar o movimento do joelho e as sessões de fisioterapia são realizadas no centro da cidade. Como utiliza sempre o elevador, percebe a falta de manutenção de alguns desses aparelhos.

 

"Esse elevador é muito velho, a impressão que se tem é que vai descer muito rápido. Há uma falta de atenção por parte da URBS em relação à manutenção desses aparelhos. Tais equipamentos existem, mas nem sempre funcionam". Oliveira destaca ainda que os motoristas não liberam elevador para quem utiliza muleta.

 

As repórteres da EntreVerbos observaram no dia 27 de abril que, na maioria dos tubos, o elevador funciona, porém em condições precárias, já que em um dos tubos no centro de Curitiba, funcionários sinalizaram histórico de falhas técnicas.

 

Essa falta de manutenção tem sido a maior reclamação dos usuários. Porém, podemos observar a melhoria da acessibilidade nos dias de hoje, assim como comenta Sérgio Roberto de Melo, motorista de ônibus convencional. Ele fala sobre como era essa locomoção anos atrás. Clique aqui para ouvir a entrevista completa.

 

Um cobrador, que não quis se identificar, diz que o elevador foi trocado, mas, uma semana depois, voltou a estragar. Ele relata que o elevado subia até a metade e travava, depois disso entraram em contato novamente com a empresa responsável pela manutenção desses equipamentos, contudo, estão sem previsão de avaliação técnica. Assim, o elevador ficou temporariamente inativo.

 

O funcionário também afirmou que "o motorista é avisado para parar em outro tubo se existir passageiro com deficiência física, já que o elevador aqui não funciona”. Confirma ainda que "o passageiro com deficiência não pode pegar essa linha, pois não pode subir na escada, então ele deverá fazer outro trajeto. Uma rampa seria melhor".

 

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