As meninas que dão uma cara nova ao skate

Esporte tradicionalmente masculino, o skate ganha espaço entre as mulheres e será modalidade olímpica em 2020

 

 Menina se prepara para descer a rampa na pista da Praça do Gaucho. (Crédito: João Alcará)

 

A prática do skate foi inventada, provavelmente, na Califórnia nos anos 1960 por um surfista que colocou rodinhas de patim em uma prancha de madeira para pegar ondas no asfalto quando o mar não estava bom. O esporte chegou ao Brasil quase na mesma época, trazido por viajantes. Porém, começou a ficar mais popular na década de 1970, quando surgiram as primeiras fábricas de equipamentos para o esporte no Brasil. O esporte, antes dominado pelos homens, começa a ter, cada vez mais, mulheres nas pistas.

 

Um dos incentivadores de skate no Brasil foi o cantor chorão, que montou uma pista particular em Santos, sua cidade natal, chamada Chorão Skate Park. Após sua morte, em 2013, a pista foi vendida. 

 

O primeiro brasileiro a romper a barreira internacional foi Roberto Dean Silva Burnquist, mais conhecido Bob Burnquist. Filho de pai brasileiro e mãe norte-americana, nascido no Rio de Janeiro, começou a andar de skate com 11 anos e se tornou profissional aos 14.  Ele viajou o mundo com seu skate e desenvolveu um estilo chamado switch. 


Segundo seu site, ele ganhou o título mundial em 1995 e foi escolhido sete vezes como o melhor do ano, foi dez vezes campeão mundial, maior medalhista dos X Games, sendo 15 de ouro. Foi o primeiro skatista brasileiro a ganhar o Laureus, o Oscar dos esportes. Vive hoje na Califórnia e construiu em sua casa a maior pista de skate do mundo. 

 

Demorou 20 anos para as meninas entrarem na onda do skate, que sempre foi um clube do bolinha e as mulheres, apesar de sua delicadeza e fragilidade, não deixam nada a desejar aos meninos. Elas ainda acrescentam um charme e beleza a mais neste esporte radical.

 

A skatista Helen Ditkun usa a pista do Half São Lourenço, em Curitiba, e não acredita que skatistas ainda sofram preconceito como antigamente, quando eram vistos como "maloqueiros". "Acho que não existe mais isso hoje em dia, o skatista já é visto de outra maneira", declara. 

 

Ana Paula Negrão, fotógrafa e skatista, vive hoje nos Estados Unidos e participa ativamente de campeonato como juíza. Tatiane Freitas foi a primeira mulher e ser capa de uma revista brasileira de skate no Brasil. No começo, elas participavam de campeonato junto com os meninos e depois criaram a categoria feminina.

 

 Helen Ditkun pratica skate no Bowl São Lourenço. (Credito João Alcará)

 

Mariana Costa começou a praticar skate em Santos, onde morava antes de ir para São Paulo. Sobre o estereótipo antigo que o skatista não era levado à sério, conta que  agora  melhorou bastante, pois há campeonatos e reconhecimento do esporte.

 

Uma das primeiras mulheres skatistas no Brasil foi Giuliana Ricomini, que começou aos 16 anos, no começo dos anos 1990, influenciada por amigos, e só andou com meninos até o primeiro campeonato feminino, realizado em 1995, chamado "Check Out Girls". Outras skatistas conhecidas no Brasil, que foram precursoras, são: Liza Araujo, Catarina Hu, Ana Paula Negrão, Evelyn Trevisan, Luizinha Meduza, Renatinha Paschini, Patricia Rezende, Graciele Santiago. 

 

 

Mais que um esporte

O skate hoje em dia deixou de ser apenas um esporte e transformou-se em uma estilo de vida, que tem gírias próprias e jeito de se vestir próprio. O seu estilo bastante ligado ao rap e ao grafite, e, como o surf, preza pela liberdade. Os skatistas curtem também rock e reggae.

 

O skatista Teruo Kosaka, que mora em Bauru, começou nos anos 1970 e anda até hoje, com 54 anos. Ele tem até uma rampa de madeira em casa. "Andar de skate até hoje é um prazer e ainda encontro os amigos de adolescência; compartilhar com o pessoal mais novo é sensacional e vários amigos da antiga ainda andam", declara. 

 

Muitos usam o skate como meio de locomoção, como é o caso do estudante universitário Vinicius Oliveira, que mora em São José dos Pinhais. Oliveira não usa o skate nas pistas, mas nas ruas. "Fazia sete anos que não andava e comprei por pura necessidade de um veículo que possa carregar com facilidade. A única coisa que tem sido complicado é dividir as ruas com os carros; nem todo lugar o skate roda depende do terreno, mas este é meu veículo alternativo pra facilitar meu cotidiano", esclarece.

 

Skate passa a ser modalidade olímpica

Foi anunciado neste ano, durante as Olimpíadas no Brasil, que o skate fará parte dos próximos jogos, porém ainda não se sabe como e esporte será disputado e quais as modalidades entrarão na competição. Se o Brasil tiver com seus melhores desportistas, poderá ganhar muitas medalhas, porque tem  grandes profissionais da área.

 

Entre os skatistas, isso causou uma polêmica porque alguns acham bom e outros não. Larissa Corollo não concorda com o skate nas Olimpíadas, pois acha que  foge da essência do skate, associado à criatividade. " Acredito que, com o skate nas Olimpíadas, um novo esporte vai surgir: o skate olímpico, mas não com os skatistas de hoje e sim com uma nova geração treinada para isso", opina.

 

Já Lucas Bittencourt achou muito bom o skate estar nas Olimpíadas. Para ele, isso pode ser um incentivo para a construção de novas pistas em Curitiba. Marina Costa também vê o anúncio como algo positivo: "achei muito legal porque melhorou muito a visão do skate".

 

 

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