Stand up Comedy: um humorista, um microfone, várias risadas

A arte de transformar o cotidiano em piadas que alegram as noites boemias

 

 Modalidade de stand up é cada vez mais aceita pelo público (Crédito: Alysson Moura) 

 

 

Você com certeza já deve ter ouvido falar ou conhece o stand up comedy, um tipo de humor que cresceu nos últimos anos e ganha cada vez mais espaço na cena cultural do humor. Curitiba normalmente tem a fama de ser uma cidade que valoriza muito a cultura do teatro e da arte, e a capital paranaense também deu espaço para o stand up.

 

No portal Stand Up Comedy Brasil, o humorista Bruno Motta caracteriza o comediante como um cara solo. Com o instrumento  microfone, um palco e o objetivo de fazer a platéia rir com histórias cotidianas. A grande característica do stand up é o humorista, esse realmente dá a cara tapa pra valer, sem texto ou personagem, este vai ao palco com a missão de transformar suas ideias e histórias em um antro de risadas, sem que ele mesmo não veja a graça.

 

O humorista é realmente um “Eu-murista”, com o trocadilho da palavra significa que o próprio: cria roteiro, escreve piadas, faz praticamente tudo. Mas, aí que está o seu diferencial: a pessoa tem a empatia de se colocar no lugar de qualquer um, consegue ter um olhar analítico e ver coisas que podem se transformar em risos que outras pessoas não conseguiriam entender.

 

Como tudo surgiu

Não há uma origem certa de como e onde começou o stand up comedy, o que se sabe é que ele se popularizou muito na América do Norte, especialmente nos Estados Unidos. Há algumas fontes que dizem que tudo começou no rádio, é o caso do portal Stand up Comedy Brasil. Os animadores de programas chamados de mestres de cerimônia eram os responsáveis em entreter o público durante o início das programações e os intervalos, geralmente com monólogos e números cômicos.

 

Logo esses apresentadores se tornaram o próprio show e começaram a realizar encontros em bares e clubes, onde tinham mais liberdade de se expressar através da comédia. As apresentações se configuraram em algo intelectual e os clubes começaram a dispensar números musicais para ter apenas comediantes. No final dos anos 1950 e 1960, isso virou uma febre nos EUA.

 

Um novo grupo de humoristas, incluindo Redd Foxx, começou a se aventurar em campos mais perigosos da comédia, falando da política e descaso social. Além de debaterem assuntos mais polêmicos, os clubes de humores passaram a aceitar a entrada de negros e mulheres, e esta nova onda de humoristas fez com que aparecessem mais nomes que se tornariam famosos como Richar Pryor, Woody Allen e Bill Cosby.

 

 

O stand up no Brasil

O stand up no Brasil, ao contrário do que muitos pensam, não foi trazido da cultura norte-americana. A comédia nacional já existia, só foi preciso de uma adaptação: os contos e causos historiados pelos antigos ganharam tons cômicos.

 

Este tipo de divertimento primeiramente foi introduzido por José Vasconcellos, com o show “Eu sou o Espetáculo”, na década de 1960, como relata o portal história do cinema brasileiro e o próprio portal de stand up Brasil. Anos depois e mais próximo ainda do estilo americano, Chico Anysio e Jô Soares fazem apresentações ao vivo no formato comedy e reproduziam o mesmo nas entradas de seus programas na TV.

 

Depois de muito tempo, nos anos 2000, o stand up comedy volta a ser lembrado pelos humoristas,  com novos humoristas, como Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Bruno Motta, entre outros.

 

Hoje o stand up comedy é um fenômeno. São tantos artistas que os comediantes começaram a fazer grupo de humoristas. Hoje os teatros, bares e casas de shows lotam para ver um espetáculo de comédia - não só com um humorista, agora são vários de uma vez só.

 

 

Curitiba, uma das capitais do Stand up

Curitiba hoje conta com o primeiro bar especializado em stand up comedy na cidade. (Crédito: Alysson Moura)

 

Curitiba foi uma das pioneiras a abrir espaço para comediantes em clubes e bares, tanto que ficou conhecida por ser uma das capitais mais influentes na comédia de pé. É uma cidade de referências e no stand up não ficou atrás, revelando nomes importantes como Léo Lins e  Diogo Portugal, humorista conhecido no meio e que fez sucesso também na televisão. Foi ele quem criou o próprio grupo de humoristas, o “Risadaria”, com a participação da comediante Nanny People.

 

Além disso, Curitiba tem também a primeira casa voltada apenas para shows de stand up, o Curitiba Comedy Club, um espaço destinado a quem quer ver vários comediantes numa noite só, ou um apenas. A casa oferece shows e também uma competição entre os humoristas, a Copa Curitiba Comedy Club de Stand-Up/Open Mic.

 

O concurso é voltado para iniciantes com o objetivo de revelar novos talentos para o humor de pé, e funciona da seguinte maneira: cada humorista tem direito a cinco minutos de apresentação, o júri determina quem é o campeão do dia, e este já é selecionado para a grande final. Há também a repescagem, etapa na qual é a platéia quem escolhe o candidato. Na final, quem vencer ganha uma apresentação no bar junto com outros três humoristas famosos.

 

Para saber mais sobre a competição, entrevistamos o atual campeão da quinta edição da Copa de Stand up, Felipe Pansolin. Ele falou sobre a função de stand up, como começou a carreira e como foi participar e vencer da competição que revela novos humoristas de Curitiba.

Entrevista com o humorista e campeão da quinta edição da Copa de stand up do bar Curitiba Comedy Club. (Crédito: Alysson Moura e Adriano Paulo)

 

 

 

As novas caras do humor em Curitiba

Lucas Welter: "O pessoal acha que é fácil, que é só ir la e fala qualquer coisa, não é bem assim".

(Crédito: Arquivo pessoal/Lucas Welter)

 

Assim como Felipe, há outros nomes despontando na cena humorística. Lucas Welter é um deles, já trabalha com stand up há algum tempo e tem projetos com outros humoristas, como Hallorino Jr e Emerson Ceará. Um destes é o Stand up na Alemanha, que são apresentações dos comediantes no Bar do Alemão, em Curitiba.

 

Lucas buscou o stand up pelo fato de proporcionar uma liberdade para a comédia que ele não tinha em outra áreas. "A possibilidade de fazer rir sem nenhum acessório mesmo, apenas com as minhas ideias, só o que eu escrevo, só o que eu sinto, isso determinou minha entrada no stand up", explicou. Como dito, o comediante é o responsável por criar todo o repertório da apresentação. 

 

Em relação à profissão no Brasil, Lucas falou que é uma boa profissão. Pode-se viver de comédia no país, mas é difícil, principalmente no início. Apesar da expansão do stand up, são poucos lugares no Brasil que dão oportunidades para iniciantes. "É difícil chegar a viver de comédia, até chegar la é complicado, mas é possível porque tem muita gente que vive, e vive bem só de comédia", afirmou Lucas.

 

Futuramente, Lucas tem o sonho de se apresentar no Comedians, o primeiro bar especializado em comédia no Brasil, onde humoristas badalados  se apresentam. Para saber mais sobre a entrevista com o humorista, confira a o áudio.

 

Dos palcos para as telas

As apresentações de stand up também serviram como porta de entrada de alguns humoristas para Hollywood, como é o caso de Steve Martin, Robin Williams e Eddie Murphy. Estes fizeram tanto sucesso nos clubes de comédia e teatros, que conseguiram estrear filmes e séries na indústria cinematográfica americana.

 

Steve, após fazer muito sucesso no humor de pé, estreou seu primeiro filme “The Jerk”, mas o filme não foi bem aceito pela crítica. O ator fez mais sucesso com a comédia "Doze é demais". Já Robin Williams se encontrou nos cinemas, fez praticamente toda sua carreira na telinha. “Bom dia Vietnã” mostrou ao mundo o talento de Williams não só como humorista, como ator também. 

 

Eddie Murphy dispensa comentários. Engraçado nos shows de stand up e nos filmes que faziam todos rir na clássica sessão da tarde, o policial Axel Folley de “Um tira da pesada” foi seu primeiro papel principal, e aí vieram muitos outros sucessos do final dos anos 1980, como “Um príncipe em Nova York e o hilário “Professor aloprado”. A lista ainda é maior, mas esses foram os que fizeram um sucesso mais expressivo nos cinemas. De uma nova geração de atores que surgiram do stand up ainda pode-se citar Adam Sandler, Chris Rock e Kevin Hart.

 

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