Erotização precoce volta ao debate

Campanha contra namoro infantil ganha repercussão nacional

 A mobilização da campanha ultrapassou o espaço virtual. (Crédito: Liliane Jochelavicius)

 

No início do mês de abril, uma campanha na internet conquistou as redes sociais. A hashtag #criançanãonamora invadiu a rede. Começou com uma ação da Secretaria de Assistência Social do Amazonas, mas logo o país todo já estava falando no assunto. Com isso, psicólogos e pais começaram a criar campanhas de mobilização.

 

Os temas erotização e namoro infantil vêm sido discutido há algum tempo. Porém, somente agora vemos escolas e comunidades sendo alcançadas de forma frequente. O intuito é de conscientizar a população sobre a importância de “cuidar” das crianças quando se trata de práticas que não correspondem a sua faixa etária.

 

“Interesse por namoro ou assuntos que envolvam a sexualidade devem ser observados. Na fase da adolescência, deve-se aproveitar destes momentos, de maior interesse pelo assunto, para passar informações de forma adequada”, aponta a psicopedagoga Elciane Lipski.

 

Assuntos que as crianças ouvem, programas de TV, músicas, incentivos ao uso de cosméticos. Esses são alguns dos estímulos que a psicopedagoga cita como sendo formas de alimentar a dinâmica da erotização precoce. Em seguida, pode-se observar o fato da valorização de outras pessoas sobre o tema.

 

A criança, muitas vezes, tem seu comportamento sustentado através de elogios, presentes, exigências em demasia e tantas outras práticas que só orgulham a criança por estar tendo atitudes adultizadas. Entretanto, é importante que os pais estejam atentos a esse tipo de relação da criança com outras pessoas.

 

Miriam de Castro, 32 anos, tem uma filha de sete anos e afirma que o cuidado com a criança deve vir dos pais. Desde o que vai assistir até os assuntos que a criança ouve. “Não permito que digam que ela namora fulano. Na hora eu já corto e falo que ela pode ser amiga, pois não é adulta para isso”, conta.

 

 

O papel da mídia

 

Quando o assunto parte para o que a criança vê, se torna ainda mais sério. A psicopedagoga Elciane Lipski afirma que a mídia é o que mais influencia a criança, pois é onde ela tem contato com um universo diferente. Ainda mais quando ela “se vê” na telinha, ou seja, quando o que a criança vê é voltado para o público infantil.

 

Com uma filha de sete anos, Miriam de Castro garante que sempre está atenta ao que a filha assiste. “Infelizmente, a mídia incentiva a criança a crescer antes do tempo. Eu não concordo, por isso, controlo o que ela ouve e assiste”, afirma.

 

Se a criança observa que do outro lado há alguém com aproximadamente sua idade e que está adultizada, a chance dela ter vontades e gostos assim é ainda maior. “A partir das mídias podem idealizar formas de vida, consumismo, personagens e ser até mesmo influenciadas em suas condutas”, declara Elciane.

 

O Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) formalizou um documento com regras e normas que devem ser cumpridas quando se trata de publicidade infantil. Mesmo assim, ainda vemos muitas campanhas publicitárias que descumprem com essas regras. Quem nunca viu uma propaganda onde meninas de sete a dez anos são apresentadas como mini mulheres, "lolitas", vestidas de maneira sensual, mexendo em um aparelho celular, como que tirando foto com pose provocante?

 

Portanto, psicólogos afirmam que, através dessas campanhas de erotização e namoro infantil, pais devem estar cuidando com acessos a mídias. Caso a criança já esteja absorvendo conteúdos impróprios, é preciso conversar e explicar que aquelas atitudes não devem ser tomadas como referência. É importante, de acordo com a especialista, “proporcionar situações típicas de sua idade, como brincadeiras, jogos, brinquedos, vivências; e sempre controlar o uso de mídias em geral”.

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