Arena do Coxa está longe de sair do papel

Coritiba sonha com Arena mesmo sem local e projeto definidos, ou investidores interessados

 

Vista externa do Estádio Couto Pereira a partir da Rua Mauá no Alto da Glória.  (Crédito: Clóvis Pedrini Jr.)

 

Quando um vizinho reforma a casa, o outro se apressa para não ficar para trás. Essa máxima parece estar norteando o andamento do projeto da Coritiba Football Center, ou a nova Arena do Couto, que o vice-presidente, Alceni Guerra promete ser a mais moderna do mundo.

 

Anunciado em novembro de 2016, o novo estádio substituiria o Major Couto Pereira no bairro Alto da Glória. O local é um dos problemas. Incrustado em um bairro central e populoso, o estádio é rodeado por casas, comércios e condomínios prediais.

 

Para o engenheiro civil Rodrigo Weber, a localização praticamente inviabilizaria o empreendimento. “Deve-se considerar que uma construção como esta leva muito tempo, e quanto tempo quem vive nas redondezas está disposto a conviver com os percalços que ela trás”. Além disso, segundo Weber, os valores das indenizações de desapropriações e o fechamento de ruas praticamente tornam o local da atual sede do clube uma escolha que dificulta ainda mais a concretização da ideia.

 

O primeiro protocolo para a construção no Alto da Glória foi negado, em 2015, pela Prefeitura de Curitiba, que não aprovou a viabilidade técnica do projeto. No ano seguinte, o Coxa protocolou novo pedido ainda em análise.

 

Reconhecendo essa dificuldade, o clube se antecipou em afirmar que considera outros dois locais. Um deles seria no estádio Pinheirão, localizado no bairro Tarumã, que foi em 2007. O empresário cascavelensce, João Destro, arrematou o estádio em 2012 por R$ 57,5 milhões. Destro, porém, já está em negociação para transformar o local em um empreendimento residencial. A outra possibilidade de construção seria na Cidade Industrial de Curitiba, a 15 quilômetros do Alto da Glória.

 

Para o economista Altamir Thimóteo da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), “construir o estádio longe do atual também é um risco grande, pois teria que se criar um novo hábito. Uma decisão com esta pode distanciar o clube de suas raízes onde mantém laços e de seu reduto, onde está seu torcedor, portanto seu cliente, será que valeria a pena? ”.

 

Revendo o histórico do Couto no site do clube, verifica-se que a maior obra realizada no Couto Pereira nos últimos cinco anos foi a Reta da Mauá, com a modernização do setor Pró Tork. Nesta área, a mais próxima do campo, os sócios possuem cadeiras numeradas. A reforma aconteceu em 2017.

 

 

Indefinições

 

Além das três opções de locais, foram tornadas públicas seis propostas de complexos multiuso. O que se sabe é que todos contemplam um teto retrátil. Quatro projetos foram assinados pela Realiza Arquitetura e dois pela Bacoccini Arquitetura.

 

Video de divulgação do projeto do Novo Couto (Crédito: Realiza Arquitetura)

 

Nem o local, nem o projeto, nem a empresa, no entanto, foram definidos. Para Thimóteo, dificilmente um investidor aceitaria arriscar-se em um projeto sobre o qual paira a indefinição. “Parece-me mais um sonho de alguns membros do clube do que qualquer outra coisa. Fazer um estádio gerar lucro é difícil, só com as partidas de futebol isso é quase impossível”, diz o economista.

 

Desde que anunciou o projeto, o Coxa poucas vezes voltou a se pronunciar sobre o tema, relegando-o às especulações. Até o fechamento desta edição, o clube, nem as empresas responsáveis pelos projetos haviam respondido às perguntas enviadas pela reportagem. A assessoria do Coritiba informou que respostas para este assunto só são liberadas depois de autorizadas expressamente pela diretoria deliberativa.

 

 

Arena compartilhada

 

Paralelo ao projeto do Novo Couto, corre a ideia de se formatar um uso comum da Arena do Atlético. Para isso, o clube do Alto da Glória teria que pagar pela construção da Areninha, orçada em R$ 80 milhões. Com isso, teria direito a mandar seus jogos na Arena da Baixada. Uma dúvida é quanto à reação das as torcidas rivais diante da notícia.

 

Depois de algumas reuniões entre os dirigentes das três equipes da capital paranaense, o Coritiba publicou uma nota oficial rechaçando a ideia de uma Arena Atletiba.  “Não há, em hipótese alguma, a alternativa do Coritiba investir em outro espaço além do Couto Pereira como estádio e casa da torcida coritibana. A informação que circulou nas últimas semanas referente a uma arena conjunta com outras equipes da capital não é uma opção desta diretoria”, diz o esclarecimento.

 

A eleição para a nova diretoria, que sucederá o mandato do atual presidente Rogério Bacellar pelo próximo triênio (2018-2020), acontece em dezembro de 2017. Dependendo dos resultados, pode-se dar novos rumos aos projetos da Arena Couto ou enterrá-lo de vez, caso o grupo ao qual pertence Alceni Guerra, o grande entusiasta da ideia, saia derrotado.

 

 

Arena da Baixada ainda não foi paga

 

Arena da Baixada do Clube Atlético Paranaense com teto retrátil. (Crédito: Clóvis Pedrini Jr.)

 

Segundo informações da Fomento Paraná, a Arena da Baixada está avaliada em R$ 634.950.000,00. A dívida pendente está em R$ 291 milhões. Essa quantia é referente a um empréstimo que o Clube Atlético Paranaense (CAP) fez junto a Fomento Paraná, a agência de crédito do Governo do Estado.

 

O CAP se nega a pagar e alega que a Fomento está cobrando apenas do Atlético o valor integral, sendo que nessa quantia ainda estão as partes que competem à Prefeitura de Curitiba e do próprio Estado. A remodelação no estádio para que fosse utilizado na Copa do Mundo de 2014 foi de R$ 354 milhões.

 

O Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) interveio. Segundo informações da assessoria, cinco dos seis contratos – que somam R$ 240,5 milhões – venceram entre 2015 e abril deste ano e ainda não foram pagos. Como garantia de pagamento desses financiamentos, o clube ofereceu parte de seu patrimônio, incluindo o próprio Estádio Joaquim Américo. O TCE-PR aprovou  uma medida cautelar que impede o Atlético-PR de vender ou transferir imóveis de sua propriedade dados como garantia de pagamento dos financiamentos públicos obtidos pelo clube para obras da Copa de 2014.

 

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