Bandas locais enfrentam desafios para viver de música

13.06.2017

Em meio a tropeços e dificuldades, bandas independentes buscam deixar sua marca no rock and roll nacional

 

Bandas Hell Gun e Criminal Action juntas em estúdio. (Crédito: Ícaro Couto)

 

Inúmeros músicos começaram suas carreiras de forma independente antes de estourar na mídia e assinarem contratos com grandes gravadoras. Alguns, inclusive, voltam para esse estado mais autônomo anos depois de terem feito sucesso, alegando que isso lhes proporciona maior liberdade pessoal e criativa.


Curitiba é conhecida por ser o “lar” de várias bandas que seguem carreira de forma independente. A maioria delas, geralmente, passa pelas mesmas dificuldades, como a falta de bons espaços para se apresentar e a crescente desvalorização dos músicos regionais em favor de artistas de fora. Nos anos 1980 e 1990,  Curitiba contou com vários locais disponíveis para os artistas da cidade, como o Teatro Paiol, Teatro de Bolso, Teatro da Praça, Reitoria, Palco Flutuante do Passeio Público, Ruínas e Parque Barigui.


A reportagem da EntreVerbos conversou com duas bandas que lutam por um espaço no cenário musical curitibano: a Hell Gun e a Criminal Action. Ambas formadas por músicos diferentes, mas que partilham do mesmo sonho: tornar suas músicas conhecidas no cenário do rock and roll nacional e internacional.

 

A banda Hell Gun foi formada no início de 2014 em São José dos Pinhais, possuindo como principal influência nomes como Judas Priest, Metallica, Iron Maiden e Running Wild. Composta por Matheus Luciano dos Santos nos vocais, Lucas Licheski e Jean Carlo Falls nas guitarras, Marlon Rogério de Souza no baixo e Sidney Dubiella (também conhecido como CJ) na bateria, eles apostam nas composições em inglês para conquistar um espaço mais abrangente.


Segundo o vocalista Matheus Luciano, “o inglês possui uma sonoridade melhor, sendo assim um idioma mais fácil de ser musicalmente trabalhado, principalmente no Heavy Metal”, estilo predominante no grupo. Quando perguntados sobre como tudo começou, os integrantes relataram que no andavam juntos desde a adolescência e gostavam dos mesmos estilos musicais. Como Lucas e Marlon já tocavam covers para se divertirem, chamaram Matheus para fazer vocal; foi aí que começaram a compor músicas autorais e se iniciou oficialmente a Hell Gun.

 

De acordo com os guitarristas Lucas e Jean, viver de música hoje em dia é um sonho que eles esperam alcançar brevemente. “Pra se viver de música, é preciso investir muito na sua imagem pessoal, além de ter uma boa produção musical e focar sempre na qualidade do material em primeiro lugar”, salientam os músicos. Todos os integrantes entrevistados são unânimes em afirmar que o começo nunca será fácil. “Faltam espaços, incentivos e, muitas vezes, apoio do público, porém, para se fazer sucesso, você tem que vender o que tem de melhor”, aconselham. Para os membros das bandas, é importante se preocupar com a postura e "manter o pé no chão",  mas, no fim, a música sempre será o principal. 


Semelhante aos outros músicos, os da banda Criminal Action afirmam que há falta de incentivo e de bons espaços para os músicos se apresentarem na cidade. Surgida em meados de 2010, com o nome de Silver Knights (que foi mudado  tempos depois, estimulados pela mudança no estilo musical e um episódio de discriminação sofrido pelos integrantes em um bar), o grupo atualmente é composto por Jean Pietro da Silva Aparício nos vocais, Willian Robert Schmitz Silveira e Rogério Kozarewicz Junior nas guitarras, Júlio Eduardo Ribeiro Kowarewicz na bateria e Ricardo Nunes Tails no baixo.


Jean Pietro afirma que algumas casas de show não pagam os músicos, convidando-os para tocar de graça nos estabelecimentos em troca de “divulgação”. Existem muitos que acabam se sujeitando a tocar nesses lugares por não falta de opção, fator que, segundo ele, enfraquece e desvaloriza a “cena” local. O músico nos conta que existem bandas com mais de sete anos de carreira que, por vezes, são obrigadas a se sujeitar a tal situação, pois, do contrário, acabam ficando sem espaço para tocar e divulgar seu trabalho.


Ele também comenta que a banda já tomou alguns calotes e dá uma dica para os iniciantes evitarem sofrer o mesmo: “procurem referências do local pretendido, entrem em contato com bandas que já tocaram lá e busquem se informar sobre como foi a apresentação e se o cachê foi pago".

 

Confira abaixo um trecho da entrevista com as bandas:

 

 (Gravação: Icaro Couto/Edição: Jorge Princival)

 

 

 

Um espaço para amigos

 

 

O estúdio "Passagem de Som", onde as bandas entrevistadas estão gravando seu próximo álbum, é o ponto de encontro de muitos famosos da cena rock and roll local, fundado há mais de 20 anos. Desde a sua fundação, o espaço tem sido um palco para a congregação de bandas dos mais diversos estilos e sons. Por lá já passaram nomes como Mixtape, Sugar Kane e DeadFish, criando-se, assim, uma atmosfera de tradição que recai sobre o lugar.

 

O local atualmente está sob os cuidados de Lucas Arbigaus, guitarrista da banda de punk rock Repelentes e filho do proprietário e fundador. De acordo com Fernando Cavalaro, publicitário por formação e atual técnico de som do estabelecimento, a ideia que o pai de Lucas tinha era criar um ambiente onde os músicos pudessem não apenas gravar suas músicas, mas também ensaiar e se divertir com os amigos.

 

Quando perguntado sobre o que faz diferença para uma banda se tornar conhecida, Cavalaro lembra que a maior parte da renda das bandas hoje em dia vem de shows. A divulgação é muito importante, mas não se deve gastar dinheiro sem ter certeza de um retorno equivalente. Do seu ponto de vista, o mais importante  é a diversão da galera.

 

 


Um ponto mais experiente

 

Existem muitos músicos que optam por dar aulas para sobreviver e continuar próximo do que amam: fazer música. James Douglas, músico e proprietário do instituto de música que leva seu nome, fundado em 2016, e também guitarrista das bandas Sex Psych Love e Matilda Rock Band, leciona música desde os 17 anos de idade e já trabalhou em muitas escolas antes de abrir seu próprio espaço.

 

O artista desenvolveu um método próprio de ensino durante esses anos. Os alunos aprendem desde a primeira aula noções de harmonia e criação, tanto no sentido de composição, quanto improvisação. De acordo com James Douglas, dar aulas de música para viver é sua maior paixão e ele não trocaria isso por nada, apesar de ser graduado e ter pós- graduação em Administração.

 

O músico ainda afirma que viver de música é muito difícil, pois há instabilidade na carreira, principalmente nesta época de crise generalizada da política e da economia. “Eu acredito que quem trabalhe pra valer e se esforce com foco, consiga se sobressair mesmo com a crise, as intempéries da vida e também com as opiniões adversas para, no fim, conseguir ter uma carreira digna, pensando numa aposentadoria também. Contudo, sabemos que tudo depende de quanto nos dedicamos e como nos dedicamos para alcançar nossos objetivos”, finaliza.

 

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