Musicalização infantil vai além do ensino de notas

As aulas contribuem para o desenvolvimento cognitivo, social, afetivo e da imaginação

 

Instrumentos utilizados nas aulas de musicalização. (Crédito: Liliane Jochelavicius) 

 

Ouvir música no caminho para o trabalho, durante as tarefas diárias, para relaxar ou para dançar. Prestar atenção às diferentes notas, ao ritmo e ao silêncio também. Admirar-se com a destreza do instrumentista, com a voz da cantora ou quem sabe com a própria capacidade de fazer música também.

 

A musicalização pode ser fonte de alegria, um momento de descontração, de socialização e de aprimoramento do senso espacial. Também pode ajudar a vencer a timidez e ser uma forma natural de descobrir os elementos musicais. É o que nos contam a professora de música Jocema Lima e a psicopedagoga clínica Tatiane Cristina Fiori.

 

Jocema trabalha com musicalização infantil a partir dos três meses e conta já ter feito aulas também para gestantes. Ela ressalta que, além das vantagens anteriores, a atividade auxilia o enriquecimento do vocabulário, por meio das letras das músicas, e na matemática, com a necessidade de prestar atenção ao ritmo e tempo. A professora conta que o ensino de instrumentos começa a partir dos sete anos, pois antes disso a criança tem as mãos muito pequenas e precisa adquirir tônus muscular. Nas aulas a introdução à música, este contato é feito de forma lúdica e prazerosa. Jocema destaca que o aprendizado musical não deve ser fonte de sofrimento.

 

 

Metodologia utilizada nas aulas

 

Os estímulos são absorvidos com maior intensidade pelas crianças e permanecem por toda a vida, de acordo com a psicopedagoga. Tatiane diz que a criança aprende de forma lúdica a partir da musicalização, além de contribuir para o desenvolvimento cognitivo, social, afetivo e da imaginação. O processo também auxilia na alfabetização, ao criar, na criança com dificuldade, o gosto pelo aprendizado. Tatiane considera que a criança se torna mais receptiva à interação com outras pessoas e diminui o nervosismo.

 

Licenciada em Música pela Universidade Federal do Paraná, Jocema também estudou o Método Montessori, que busca estimular o aprendizado da criança de forma autônoma e no seu ritmo. Isso torna sua aula de musicalização diferente, por envolver outras atividades além da música. 

 

Por mais que as atividades avancem conforme o aprendizado, Jocema desestimula a competição entre as crianças. A professora considera que cada um tem seu tempo e isso deve ser respeitado. Para isso, dá o exemplo do livro Pete The Cat, que gosta de ler nas suas aulas, que mostra como compartilhar é legal e vencer não é o mais importante, e sim fazer o melhor que puder.

 

A professora de música relata que o ensino de partitura (notação musical) é feito somente depois dos seis anos. Antes disso o aprendizado é mais sensorial. Diferentes estratégias são utilizadas para o aprendizado: as crianças cantam a notas, batem palmas para marcar ritmo, andam e fazem silêncio para perceber as pausas. Dessa forma, elas vão percebendo por conta própria a estrutura musical. Jocema mostra argolas que representam as notas musicas, e ressalta que, com o tempo, a criança percebe sozinha que o Dó é representado por duas argolas diferentes. Assim como acontece na música, quando as notas se repetem em diferentes tonalidades.

 Algumas das argolas utilizadas por Jocema Lima na musicalização. (Crédito: Liliane Jochelavicius)

 

 

Para a vida toda

 

Mesmo que a criança não siga em aulas de instrumentos, esses benefícios da musicalização permanecem para sempre, afirma Tatiane. A música traz para perto mesmo as crianças mais tímidas. 

 

O Método Montessori na música foi uma adaptação feita por Jocema. Durante suas aulas faz outras atividades sensoriais, além da música, como o reconhecimento do sólido e líquido, atividades que incluam o tato e as formas. Em conjunto com os instrumentos, a professora usa imagens, bonecos e fantoches. No vídeo a professora canta uma das músicas usadas em aula.

 

 

Jocema Lima mostra uma das músicas usadas em aula. (Crédito: Liliane Jochelavicius)

 

O mesmo pato que pula as argolas que representam as notas musicais para que as crianças aprendam a escala é depois usado para aprender o que é dentro e fora. Com o carneiro da música que diz “olhai pro céu, olhai pro chão”, as crianças aprendem opostos. O mesmo lenço que é usado para cantar “a janelinha fecha quando está chovendo, a janelinha abre se o sol está aparecendo” é também utilizada em atividade para reduzir a ansiedade de separação da mãe. Nas aulas também aprendem a importância de cuidar dos materiais, pois, se estragarem algo, todos ficam sem.

 

Atividades diferentes são utilizadas conforme as necessidades apresentadas pelas crianças: quando elas estão mais agitadas, é feita uma atividade para acalmar; já quando a professora percebe que eles precisam pular muito, a aula é mais agitada. Por exemplo, no “marcha soldado” primeiro ele está com preguiça andando, leva uma bronca e sai correndo. Assim, além da criança correr e brincar, aprende diferentes andamentos da música. Tatiane destaca que a musicalização é importante para a educação como um todo.

 

 

 

Please reload

Jovens LGBT enfrentam preconceito dentro de casa

18.11.2019

Ser bilíngue significa expandir os horizontes

11.11.2019

Terror destaca cinema nacional

04.11.2019

1/3
Please reload

  • White YouTube Icon
  • White Facebook Icon

Siga a Entreverbos

Revista online produzida pelos alunos do curso de Jornalismo

Centro Universitário Internacional| UNINTER |

Rua Saldanha Marinho, 131 – Centro | Curitiba-PR |

revistaentreverbos@gmail.com

 Site projetado por Agência Experimental Grafita
Colaboração de layout por Guilherme Dias
Siga a EntreVerbos
  • fb icon 2
  • yt icon 2
Revista digital produzida pelos alunos do curso de Jornalismo