Refugiados buscam uma nova história no Brasil

A batalha pela segunda chance e a vontade de recomeçar são apenas alguns dos desejos de quem perdeu tudo um dia lá fora

Muitos refugiados passam a viver em acampamentos. (Crédito: Pixabay)

 

Na Síria, um conflito entre governo e grupos rebeldes matou ao menos 400 mil pessoas. No Afeganistão, um atentado violento deixou mais 300 feridos. Os dados que foram divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) no final de 2016 são exemplos do que acontece em alguns países. Para uns, a alternativa é encontrar uma nova região, como forma de segunda chance. Os refugiados se enquadram nessa situação, pois, na maioria das vezes, deixam seus países por motivos de guerras, perseguições políticas, radicais ou religiosas.

 

O Instituto de Reintegração do Refugiado (Adus) atua com o objetivo de superar os obstáculos na integração dos refugiados. A instituição tende a garantir formas para que os cidadãos tenham autonomia e ferramentas necessárias para buscar sua própria inserção na sociedade. De acordo com a Adus Curitiba, o apoio dos voluntários e parceiros são garantidos. A entidade promove a reinserção social por meio de atividades de conscientização, projetos de capacitação para o mercado de trabalho, além de atendimento psicológico e jurídico.

 

O professor do Instituto Federal do Paraná, Otávio Ávila, defendeu uma dissertação sobre o assunto. Para ele, o refúgio é uma migração forçada, ou seja, não há desejo por parte do indivíduo de mudar. “Ao contrário da migração que é um fenômeno histórico e da natureza, o refúgio está atrelado a causas históricas por território e poder”, explicou. Ávila lembra que o refúgio pode estar ligado também a causas ambientais ou acidentes climáticos.

 

Crédito: Emanuel Andrade com informações do Conare

O Brasil abriga cerca de 8.863 refugiados de 79 nacionalidades, de acordo com o Comitê Nacional para Refugiados (Conare). Os dados revelam que 2.225 destes, que representam  ¹/4 dos refugiados, residiam na Síria. Segundo o último relatório divulgado pelo Conare, em 2016, as solicitações de refúgio passaram de 996, em 2010, para 28.670, em 2015.

 

 

Refugiados tentam recomeçar e as ONG's ajudam

 

Centro de Apoio ao Estrangeiro no Brasil e Exterior (CAEBE) atua em Curitiba há cerca de um ano. O secretário-executivo da organização, Daniel Dauaidar, revelou que atualmente 80 sírios, 15 africanos além de um casal de venezuelanos são atendidos pela ONG. “Os maiores números de refugiados atendidos pela instituição vêm da Síria”, afirma.

 

Já a Adus Curitiba atende cerca de 250 refugiados e portadores de visto humanitário. Segundo a entidade, a maior demanda é a inserção no mercado de trabalho. Da elaboração de currículos até o desenvolvimento de capacitação, tudo fica por conta da instituição. Além disso, atendimentos psicológicos e jurídicos também são assegurados.

 

O professor Otávio Ávila contribuiu por dois anos na Casa Latino-Americana (Casla) e na Pastoral do Migrante. “Em média, tínhamos cerca de 20 pessoas por dia nestas organizações”, relatou. Para ele, hoje em dia os números devem ter diminuído, mas ainda devem contabilizar uma média de 100 atendimentos diários.

 

 

Na Capital, os refugiados lutam pela sobrevivência

 

De acordo com o secretário-executivo do CAEBE, Daniel Dauaidar, os sírios se mantêm por meio de negócios próprios como restaurantes, sacolões e até mesmo produzindo comida árabe. “Existe muita dificuldade na colocação dos refugiados no mercado de trabalho. Fatores como o idioma e a revalidação de diploma os afetam”, disse.

 

Os africanos partem para o mercado, de forma informal, trabalhando como lavador de carro ou auxiliar de pedreiro. “Há também quem opte por ser cozinheiro ou faxineiro”, completou Dauaidar. Sobre o casal de venezuelanos, o secretário-executivo revelou que até malabares em faróis têm auxiliado na complementação da renda. No CAEBE ninguém passa necessidade. Todos recebem cestas-básicas por meio de doações de igrejas evangélicas parceiras da ONG.

 

O refúgio traz consigo a necessidade de sobrevivência. Ávila relata que a saudade faz parte de quem migra. “Há uns 5 anos, por exemplo, mais de 20% do PIB do Haiti vinha de remessas enviadas daqui”, contou. O professor afirma que há casos em que as pessoas saem de suas casas para buscar novas culturas, filosofias de vida e conhecimento. “Isso só acontece com o rompimento de fronteiras”, finalizou.

 

 

#Solidariedade: saiba como VC pode contribuir com as ONG’s

 

As ONG’s contam com o apoio, quase que exclusivo, de voluntários. Em alguns casos, empresas privadas se solidarizam e chegam a prestar assistência. As doações existem de várias formas: desde mão de obra ao auxílio na área jurídica e social. O refugiado pode solicitar a ajuda do CAEBE. “Feito o cadastro, é iniciada a assistência para cada necessidade”, completou Dauaidar.

 

A Adus Curitiba se mantém por meio de doações de pessoas físicas, através do programa Amigo Adus e de bazares beneficentes. A instituição também minimiza os obstáculos encontrados pelos refugiados durante o processo de reinserção social. Para atuar como voluntário da ONG basta entrar em contato pelo e-mail curitiba@adus.org.br. A sede da Adus em Curitiba fica localizada na Rua Matheus Leme, nº 35. O telefone é o 41 98474-4095.

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