João Turin: o bom gigante do Paranismo

A história do artista conhecido tanto pela personalidade quanto pelo talento

 

Quadros no MON expõem as emoções de João Turin. (Crédito: Marcella Menezes/ Pixabay) 

 

As brincadeiras de infância são fortes na memória das pessoas. Enquanto muitos garotos associam essa lembrança a um jogo de futebol, João Turin relaciona à arte e ao aprendizado. O artista descobriu a escultura cobrindo pernas, tronco e braços com argila, esperando secar e depois removendo, a fim de brincar com os moldes do próprio corpo.

 

Ainda menino, o precursor da escultura no Paraná também observava os animais da região onde morava. Anos mais tarde esse trabalho colaborou para o desenvolvimento de trabalhos que o consagraram como o maior animalista da história no Brasil.

 

Nascido em Porto de Cima, vilarejo de Morretes-PR, no ano de 1878, filho de imigrantes italianos, viveu a infância em um ambiente campestre. Em 1887, muda-se para uma chácara em Curitiba com o pai. Na adolescência passa pela experiência da vida operária: primeiro ele exerce as funções de ferreiro e, a seguir, de marceneiro, torneiro e entalhador, o que posteriormente lhe ajudou para execução de suas esculturas.

 

Era conhecido pelos vizinhos e amigos como Tio Nani. As crianças que conviviam com ele também o apelidaram de O Bom Gigante. Além de 1,90m, ele era uma pessoa muito espirituosa e brincalhona. Os mais íntimos também conheciam sua paixão por vinhos, que muitas vezes refletiam em suas cartas. Como ele não tinha máquina de escrever, fazia várias cartas manuscritas e, quando bebia além da conta, a letra ficava distorcida.

 

Falando sobre o Brasil em correspondência a um amigo, escreveu que o país é tão bonito e possui uma natureza tão maravilhosa, que, para demostrar a beleza brasileira, bastaria lhe dizer que aqui não existe inverno. Talvez essa referência ao inverno esteja ligada às más lembranças do frio europeu que ele teve que enfrentar enquanto estudava na Real Academia de Belas Artes de Bruxelas, em 1905.

 

Em outra carta descreve a importância de quando ganhou um sobretudo de Zaco Paraná, seu amigo e também escultor, pois saiu do Brasil sem roupas adequadas e estava sofrendo muito com as baixas temperaturas da Europa. Como foi estudar com bolsa de estudos do Governo do Paraná, ele não tinha recursos financeiros suficientes para a nova vida no exterior.

 

Sem dinheiro até mesmo para algumas coisas básicas, ele desenha onde dava, em papel de embrulho, saco de pão, etc. Mas os espaços encontrados não foram poucos, estima-se aproximadamente 3 mil documentos com suas ilustrações.Embora não fosse pintor, também dedicou parte do seu tempo a essa arte. Toda sexta-feira tinha que começar e terminar um quadro para externar suas emoções. Dessa distração resultaram cerca de 240 quadros.


Muitas dessas produções foram expostas na mostra “ João Turin - Vida, Obra, Arte”, que ficou em cartaz entre junho de 2014 e fevereiro de 2015 no Museu Oscar Niemeyer (MON). Além de muito premiada, a mostra fez sucesso com as crianças porque as obras podiam ser tocadas. Esse diferencial da obra se deve a mensagem que o artista deixou: “Toquem nas minhas obras, quanto mais vocês tocam nelas mais elas ficam bonitas.”.

 

 

Bastidores de um mergulho documental

Sentada em uma das mesas da sala de Documentação e Referência do MON, a reportagem da EntreVerbos recebeu quatro compartimentos repletos de arquivos sobre João Turin. A maioria dos documentos vieram da doação feita pela família Lago, quando comprou o acervo do atelier do artista em 2011.

 

A pesquisa documental foi o embasamento principal para a construção do perfil. Por meio da leitura de correspondências, anotações e até mesmo uma autobiografia, foi possível descobrir curiosidades da personalidade de João Turin, que podem ser associadas direta ou indiretamente com seu trabalho artístico.

 

Além de documentos físicos, a pesquisa pode contar com o texto de Adalice de Araújo um dos maiores nomes entre os historiadores do Paraná. A indicação do material foi feita por Ricardo Freire, historiador MON. Outra indicação extremamente relevante foi um vídeo com a curadoria da mostra “João Turin - Vida, Obra, Arte”.

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