Campeonato amador de Curitiba destaca-se no Brasil

Suburbana é uma das maiores competições amadoras do País, com mais de 75 anos de história

 

Em 2017, a Suburbana chega a 76 anos de disputa repletos de histórias. (Crédito: Diego Augusto)

 

Organizado pela Federação Paranaense de Futebol (FPF), desde 1948 – começando a ser disputada em 1941 -, a Suburbana ganhou espaço no futebol paranaense com alto nível técnico e acirrada disputa entre as equipes, conquistando mais do que simpatizantes do futebol amador. O campeonato amador de Curitiba reúne bairros inteiros a cada final de semana há mais de 70 anos.

 

A Suburbana é considerada uma das maiores competições amadoras do Brasil. Reúne diversas equipes da capital paranaense que buscam manter o espírito do futebol amador, aliado ao apoio de seus torcedores. A tradição e o semi-profissionalismo fizeram com que a competição se tornasse uma referência nacional em termos de estrutura e organização. 

 

 

Histórias, equipes e craques que marcaram a Suburbana

 

Desde 1941, várias equipes já marcaram a história na competição amadora de Curitiba. O primeiro campeão do campeonato foi o Clube Esportivo Belmonte, conquistando de maneira invicta o torneio que contava com a participação de 11 equipes.

 

A equipe fundada em 5 de janeiro de 1939, conquistou o campeonato com uma campanha de 7 vitórias e 3 empates, com 32 gols marcados e 13 sofridos. O Rio Branco Sport Clube ficou com o vice-campeonato na primeira edição.

 

Formação do Belmonte na conquista da Suburbana de 1941. (Crédito: Levi Mulford)

 

Até 1948, o campeonato contou com seis campeões diferentes ao longo da primeira parte de disputa, estabelecendo desde o início, o equilíbrio que permearia a Suburbana curitibana. Em 2016, dos 12 clubes que participaram da Série A da Suburbana, três já contam com mais de 70 anos de história, entre eles: Iguaçu (97), Novo Mundo (86) e Trieste (79).

 

Além de times históricos, a Suburbana revelou grandes nomes do futebol paranaense e nacional. Merlin, meio campo, ídolo do Coritiba nos anos 1940, começou sua carreira no Clube Esportivo Belmonte, atuando na equipe alviverde por 11 anos (1943 a 1954). Pelo Coritiba, Merlin conquistou cinco títulos paranaenses (1946, 1947, 1951, 1952 e 1954), sendo considerado um dos grandes ídolos da história do clube. Vitorelli foi outro nome que se destacou no futebol profissional. Companheiro de Merlin no Belmonte, Vitorelli atuou pelo Palestra Itália, chegando a jogar no Real Madrid mais tarde.

 

 

Bastidores da maior competição amadora do Sul do Brasil

 

Dia 1º de novembro de 2016. Rodrigo Silva, torcedor do Trieste, chega para acompanhar mais uma partida no estádio Francisco Muraro, em Santa Felicidade. A partida válida pela 11ª rodada da Série A da Suburbana é contra o Novo Orleans, que assim como o Trieste luta por uma vaga nas quartas de finais da competição. “Hoje é 3 a 0”, conta otimista Silva.

 

Rodrigo Silva é morador próximo do estádio e conta como resolveu acompanhar de perto o time que virou torcedor. “Sempre gostei de futebol, sou torcedor do Atlético-PR e um dia resolvi passar pra ver um jogo do Trieste, depois disso criei uma ligação de torcedor com o time e não parei mais”, relata o torcedor. O Trieste é o 7º colocado na tabela de classificação, com 12 pontos. A vitória deixaria a equipe próxima da classificação para a próxima fase. “Hoje vamos vencer e classificar”, comenta .

 

A partida começa equilibrada, com o Trieste tomando as iniciativas no ataque e o Nova Orleans assustando no contra-ataque. Mas quem abriu o placar foi o Trieste, aos 25 minutos, jogada pela direita na cobrança de falta de Joãozinho. Luciano escora de cabeça e abre o marcador para o time da casa.

 

O Nova Orleans voltou a atacar e quase consegue o empate com Éder, em chute que parou na trave direita do goleiro Diego. Final de primeira etapa. Trieste consegue a vitória momentânea pelo placar mínimo. O torcedor Rodrigo acredita que o time vai ampliar o marcador na etapa complementar. “Agora é só segurar o jogo e sair no contra-ataque pra matar a partida”, destaca.

 

O segundo tempo começa com o Nova Orleans pressionando e conseguindo o empate. Aos 18’ minutos, Igor chuta cruzado, sem chances para Diego, e deixa tudo igual no placar. Após o gol, as duas equipes tiveram chances de definir a vitória, com Alex pelo lado do Trieste e, em seguida, Juliano pelo lado do Nova Orleans, com dois atacantes desperdiçando chances para sair com a vitória. A partida termina empatada. Final de partida: Trieste 1 x 1 Nova Orleans.

 

Mesmo com o empate,  Silva considerou que o Trieste jogou bem e deveria ter vencido a partida. “A equipe jogou bem, pecou na finalização e poderia sair com a vitória e a classificação”, finaliza o torcedor. Com o empate, a equipe de Santa Felicidade caiu para a décima colocação com 13 pontos e enfrenta o Iguaçu na última rodada, para decidir o futuro na competição.

 

 

A fórmula de disputa da Suburbana

 

A competição, que tem início no mês de junho, percorre o 2º semestre chegando às suas finais no final de novembro ou começo de dezembro. A primeira divisão da Suburbana conta com a participação de 12 clubes, com a fórmula de disputa no qual os clubes se enfrentam em turno único. Os oito melhores classificados disputam as quartas de finais da competição, em jogos de ida e volta. A final também é decidida em duas partidas. As duas equipes que terminarem o campeonato nas últimas colocações serão rebaixadas para a segunda divisão da Suburbana.

 

Em 2016, o Iguaçu conquistou o campeonato da primeira divisão da Suburbana, derrotando o Santa Quitéria na final. Na primeira partida, Tamandaré marcou o gol que garantiu a vitória da equipe, em jogo realizado no Estádio Egydio Ricardo Pietrobelli. No jogo de volta, o Iguaçu segurou empate de 0 a 0, em casa, sagrando-se campeão da Suburbana. 

 

A segunda divisão da Suburbana tem 15 equipes na disputa. A fórmula é similar a da primeira divisão. As equipes que avançarem as finais da competição sobem para a primeira divisão da competição. Neste ano, a segunda divisão chega as semifinais com os confrontos entre Palmeirinha x Bangú e Vila Sandra x Fortaleza. Na primeira partida entre Palmeirinha e Bangú empate em 1 a 1. Já no outro confronto, o Vila Sandra venceu por 3 a 1 e abriu vantagem para o jogo de volta.

 

Nas quartas de finais, o Vila Sandra venceu o Bairro Alto nas disputas de pênaltis. (Crédito: Diego Augusto)

 

O campeonato semiprofissional e os ex-jogadores que atuam na Suburbana

 

O caráter de competição “amadora” está longe de condizer com a Suburbana curitibana. É um campeonato organizado e estruturado, contando com escala de equipe de arbitragem, súmula de partidas, policiamento nos estádios, entre outros, similar a de jogos de campeonatos profissionais. Além disso, o campeonato tem outro aspecto que o torna tão intenso e disputado: a participação de ex-jogadores, que buscam continuar atuando dentro das quatro linhas, trazendo um aspecto de semi-profissionalismo ao torneio.

 

Exemplos de ex-jogadores jogando a Suburbana não faltam. O campeão Iguaçu conta com o ex-lateral direito Luisinho Neto, que atuou no São Paulo, Atlético-PR, Cruzeiro, Internacional, Atlético-MG, Sport, entre outros clubes na carreira. Outro jogador que já atuou em gramados profissionais e hoje veste a camisa do Iguaçu é Léo Gago. O volante, que já teve passagens por Coritiba, Grêmio, Vasco, Palmeiras e Bahia, estava jogando no Sampaio Corrêa e resolver atuar no futebol amador de Curitiba.

 

Em entrevista à ESPN, Léo Gago contou a razão pelo que fez desistir momentaneamente do futebol profissional. “Faz dois anos que estou rodando em times das Séries B e C e não recebi direito. Acabava recebendo os salários bem depois, isso quando recebia...”, conta.

 

O volante também comentou sobre a decisão de atuar no futebol amador de Curitiba e como o campeonato conseguiu atrair tantos jogadores e ex-jogadores profissionais. “Nunca tinha jogado campeonato amador valendo de verdade, e está sendo bem diferente. Como é muito organizado, tem muitos ex-jogadores e também atletas do Campeonato Paranaense que não arrumam clubes; aí, para não ficar parados, eles jogam o amador também. O nível é muito forte”, relatou o volante à reportagem da ESPN.

 

A Suburbana é um verdadeiro reduto de craques que mesmo depois de “pendurarem as chuteiras” profissionalmente, continuaram a atuar nos gramados do futebol paranaense. Adriano Gabiru, Alex Mineiro, Rogerio Corrêa já dividiram espaço nos campos da Suburbana, que ainda hoje, continua a receber atletas do futebol profissional.

 

Por mais aquém que a Suburbana possa ficar da estrutura e das cifras exorbitantes do futebol profissional, a tradição de times e do campeonato conquistaram o apoio dos torcedores e da mídia paranaense. Com os “atletas” do final de semana, vivendo uma jornada dupla para representarem seus times em cada jogo, tornando a Suburbana um fanatismo que vai além da arquibancada e campo, mas de uma comunidade que acredita que o futebol possa se tornar o futuro das próximas gerações.

 

O ranking dos campeões da Suburbana

O Trieste é o maior vencedor da Suburbana curitibana com 12 títulos. (Crédito: Diego Augusto)

 

 

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