A geração marcada pelo termo pós-verdade

Com o crescimento do uso das redes sociais, a replicação de boatos aumentou, em razão da validação pública

 

Segundo um estudo realizado pela Universidade de Massachusetts, escutamos, em média, 210 mentiras diariamente (Crédito: Pixabay)

 

Todos os anos a Oxford Dictionaries (responsável pela elaboração dicionários na Universidade de Oxford) elege uma palavra para a língua inglesa. A de 2016 foi "post-truth", em português "pós-verdade". A definição do termo é a de que os fatos têm mais influência em apelar às emoções do que moldar a opinião pública.

 

A palavra é usada por quem acredita que a verdade está perdendo força, principalmente na política. Com o crescimento das redes sociais, a replicação de boatos aumentou. Segundo o professor Jeferson Ferro, as redes sociais criaram uma espécie de validação pública. "Antigamente, a pessoa que acreditava em alguma maluquice, dizia isso para alguns amigos", declara. Atualmente, a informação é repassada de forma mais rápida através das redes sociais, blogs e sites, isso faz com que as pessoas comentem sobre os acontecimentos diários, nos quais muitas vezes, elas não observaram ou questionaram as fontes. 

 

A imprensa, há alguns anos, era vista como responsável por checar os fatos e mediá-los para o grande público. No entanto, atualmente, várias mentiras disputam a atenção das pessoas. Para Ferro, as pessoas ampliam e validam discursos. Nesse processo, muitas vezes, a fonte não é checada e a população acaba repassando informações falsas umas às outras. É valido checar a origem das notícias para não se perpetuar mentiras. 

 

 

Pesquisas reveladoras sobre o comportamento dos mentirosos

 

A mentira acompanha a humanidade há séculos e faz parte da História. No dicionário o verbo "mentir" está associado a enganar, fraudar e agir com falsidade. Segundo um estudo realizado pela Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, 60% das pessoas mentem em conversas cotidianas. O psicólogo americano Robert Feldman concluiu no mesmo estudo que escutamos, em média, 210 mentiras por dia e que, muitas vezes, os indivíduos mentem sem motivo aparente.


Feldman cita em seus estudos a Teoria da Mente, que se refere à capacidade de atribuirmos nossos "pensamentos" aos de outras pessoas. É um equívoco pensar que apenas adultos mentem. Psicólogos defendem que a "porta da mentira" é aberta por volta dos 4 anos, outros acreditam que é a partir dos 18 meses (bebês fingem choros específicos para chamar a atenção dos pais). Indiferentemente da idade, a Teoria da Mente faz parte do desenvolvimento infantil, pois, ao percebermos que outros humanos não pensam como nós, predizemos seu comportamento.

 

Socialmente, a mentira é importante, afinal, os laços sociais se romperiam se todos fossem sinceros o tempo todo. Ser exageradamente franco pode magoar as pessoas, pois esse comportamento pode ser confundido com grosseria. A maioria das vezes que alguém mente é para fugir de uma situação constrangedora. A mentira nesses casos está diretamente ligada à aceitação. Agradar colegas, família e amigos é fundamental para não nos sentirmos sozinhos. Estudos mostram que somos mais sinceros com quem gostamos, o oposto acontece com pessoas que não temos um forte relacionamento. 


Para o psicólogo Rafael Ofsiany, a mentira é um problema quando se torna uma patologia. O cérebro de um mentiroso  patológico é diferente do de um indivíduo "normal", pois é capaz de manter duas histórias ativas ao mesmo tempo e há 26% a mais de massa branca (responsável pela transmissão de informações). O mentiroso patológico é o primeiro a acreditar em suas narrativas, e diversas vezes inicia uma mentira sem se quer perceber. "As consequências sociais (e morais) afetam negativamente a qualidade de vida do indivíduo, o que traz desgastes em suas relações", afirma Ofsiany. 

 

  (Crédito: Larissa de Oliveira)

 

Os mitos sobre a mentira

 

Nossas expressões faciais externam o que sentimos. Em relação à mentira, não é diferente. Porém, esqueça o que você aprendeu em programas de detetives: nosso cérebro evoluiu e foi "treinado" para mentir e detectar mentiras.

Não existe uma forma 100% eficaz para detectar uma mentira. As máquinas utilizadas são capazes de medidas fisiológicas, ou seja, medem a pressão e o batimento cardíaco. No entanto, não se pode afirmar que alguém está mentindo por ter os batimentos cardíacos acelerados ao ser perguntado se ela é uma assassina. Isto pode ser visto apenas como um indício de que a pessoa possa estar mentindo - e não como uma prova. 

Entre as "pistas" que aparecem quando estamos mentindo estão as mãos que soam, as pupilas dilatadas, as micro expressões do rosto, que podem acabar entregando um mentiroso. A fala também é um processo importante: quem está mentindo pode falar mais pausadamente e detalhar a história de forma exagerada. Quem vai mentir pode iniciar frases como "você não vai acreditar", pois isso dá credibilidade ao que ela irá dizer. Pessoas que costumam mentir são confiantes, porque elas acreditam entender do assunto, elaborando mais a história. 

A memória também é um ponto importante. Mentirosos patológicos tendem a ter boa memória, porém há uma técnica que facilita na detecção de uma mentira: pedir para que ela conte a história inteira e depois pedir para que ela fale de trás para frente. Assim, muitos detalhes serão perdidos. Isso acontece porque a memória guarda os fatos de acordo com o que acontece. 

Mas as lembranças são versões do fato e, ao relembrar algo, pode nos ser impostas novos detalhes que não são reais. Por este motivo, a LEI Nº 11.690  garante que no Brasil não é permitido que apenas o testemunho de uma pessoa sirva para condenar outra. 

 

 

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