Curitiba registra até 9 casos de picadas de aranha-marrom nos meses mais quentes

Podendo levar a região afetada à necrose, picada é perigosa por não ser dolorosa e passar despercebida

 

As aranhas-marrons se escondem em roupas, toalhas e calçados. (Crédito: Divulgação / Pixabay).

 

A aranha-marrom é um aracnídeo do gênero Loxosceles que, apesar de não ser agressivo, tem picada venenosa, não dolorosa, e, por isso, em alguns casos, acaba passando despercebida. Segundo a Secretaria de Saúde, a aranha é muito comum em Curitiba e Região Metropolitana, e os locais onde ocorrem os acidentes mais graves são as regiões dos bairros Sítio Cercado e São Braz. 

 

De acordo com a Secretaria, o aracnídeo habita locais escuros, quentes e secos. É pequeno, medindo, na fase adulta,  aproximadamente 4cm. Sua tonalidade é marrom e apresenta perna fina e longa. A fêmea, ao longo de sua vida, pode ter, em média, 250 filhotes. A teia da aranha-marrom tem um aspecto variável e ela costuma se alimentar de pequenos animais e insetos.

 

Apenas na década de 1990, estas aranhas passaram a frequentar as residências, devido ao desmatamento e ao aumento das temperaturas - derivadas do aquecimento global. A falta de predadores naturais, dos quais elas se alimentam, também contribuiu para sua disseminação no ambiente urbano.

 

De acordo com a chefe de fauna sinantrópica da Prefeitura de Curitiba, Cláudia Staudacher, as aranhas-marrons são encontradas mais na área urbana. “Elas têm um hábito domiciliar, e não são agressivas”, explica. Cláudia conta o que aconteceria se ela vivesse na natureza, ouça aqui.

 

Cláudia Staudacher explica um fator interessante sobre o cuidado com o aracnídeo. "Em Curitiba, quando algumas pessoas sabem sobre escorpiões, elas ficam muito mais alarmadas do que quando é dito sobre a aranha-marrom. Sendo que, a maioria das espécies de escorpiões é praticamente inofensiva, em relação a picada da aranha. É tão comum e banal a presença das aranhas-marrons na cidade que as pessoas se preocupam mais com as vespas e com os escorpiões." 

 

Segundo a Secretaria de Saúde, 60% das ocorrências de picadas de aranha-marrom acontece entre os meses de novembro e março. Neste período, são registrados mais de nove casos por dia. Isso acontece porque quando chega o calor, o metabolismo da arranha-marrom aumenta e ela precisa sair para caçar.

 

O aracnídeo é comum em todo o mundo e é um dos mais venenosos no Brasil (Crédito: Divulgação / Pixabay)

 

 Sintomas e cuidados relacionados à picada

 

Os sintomas dependem da quantidade do veneno injetado no corpo e de como cada organismo vai reagir. Mas, normalmente, no início (nas primeiras 8 ou 10 horas) os sinais são a vermelhidão, queimação, inchaço e coceira, acompanhada de uma mancha roxa e bolhas.

 

Depois de alguns dias, outros sinais aparecem, como dores no corpo, mal-estar, febre, náusea e necrose da região da picada - podendo deixar sérias cicatrizes. Em alguns casos, as pessoas podem até entrar em coma.

 

Várias precauções devem ser tomadas para evitar acidentes. Manter os locais bem arejados, limpos e evitar o acúmulo de materiais nos quintais de casa são algumas delas. Cuidados antes de dormir não podem ser esquecidos, afinal, a maioria das picadas ocorrem durante à noite, quando as aranhas saem em busca de alimentos e acabam se escondendo em roupas, chinelos, lençóis e cobertas. Ouça aqui sobre outros esconderijos da aranha-marrom, segundo Cláudia Staudacher. 

 

O uso de inseticida para tentar exterminar as aranhas não é recomendável, pois elas tornam-se resistentes ao produto e ainda auxilia no desaparecimento de outras espécies pequenas. Quando ocorre qualquer tipo de acidente com animais peçonhentos, recomenda-se lavar instantaneamente o local, com água e sabão. 

 

Segundo o veterinário Ricardo Simões, o veneno da aranha-marrom tem o efeito quebra tecidual - dissolve a estrutura dos tecidos que encontra. Feito para "digerir" as pequenas presas que ela caça, no caso dos seres humanos, o veneno desfaz os tecidos e quando entra na corrente sanguínea, danifica principalmente os rins. O objetivo é matar sua presa, portanto, ela pica o ser humano apenas como defesa. O veterinário ainda afirma que no caso de picadas tanto de aranha quanto de cobra não se deve fazer torniquete, saiba aqui o porquê.

 

A Secretaria da Saúde do Estado do Paraná já desenvolveu um soro feito do veneno da aranha-marrom, que é utilizado para neutralizar os efeitos da picada. Estudos demonstraram que o soro tem poder para diluir coágulos de sangue.


Para esclarecimentos sobre diagnóstico e tratamento de acidentes domésticos por animais peçonhentos basta ligar para o Centro de Controle de Envenenamentos (CCE): 0800 41 0148.

 Os fios das teias são produzidos através das glândulas localizadas no abdômen das aranhas. (Crédito: Divulgação / Pixabay)

 

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