O carnaval que nasceu graças à cuíca

08.03.2018

Instrumento influenciou na história da festa em Curitiba

 

A cuica do Divino,  compositor que aprendeu muito com Maé da Cuica (Evandro Tosin)

 

Ismael Cordeiro da Silva, apelidado de Maé da Cuica, é considerado o precursor do samba na capital paranaense. Fundou a primeira escola na década 40, a Colorado. Ismael foi também responsável pela modernização e organização das escolas. Na Vila Tassi, região do Jardim Botânico, foi onde começaram as rodas de samba e os ensaios. O músico faleceu em 2012, com 85 anos. Maé tinha o samba no coração e criava melodias. Foi primeiro sambista da cidade e tinha como instrumento preferido a cuíca. Todas essas histórias são retratadas no documentário “Maé da Cuíca, Vila Tassi e a Bateria Boca Negra”, produzido por Nivaldo Lopes e Eduardo Prante.

 

A cuíca tem uma sonoridade que envolve pessoas, com agudos, médios e graves. É semelhante à voz humana e a dos animais, como uma espécie de grunhido. O instrumento chegou ao Brasil trazido por afro-descentes do norte da África. Logo foi acolhida no carnaval brasileiro, mantendo até hoje relação forte com a festividade.

 

Avaliação do carnaval de 2018

 

Cuíca, surdo, tamborim, pandeiro, reco-reco, violão, cavaquinho e o bandolim. Quando estes instrumentos se unem, os sons ecoam e transformam o ambiente. A vontade é de sambar: público, membros das escolas e até mesmo crianças entram no ritmo.

Durante a tarde, a Marechal Deodoro foi palco do bailinho infantil e dos blocos carnavalescos. Depois, foram os desfiles das escolas da divisão de acesso e do grupo especial que agitaram a noite de carnaval. De acordo com a prefeitura, o desfile das escolas de samba, no dia 10 de fevereiro, reuniu 30 mil pessoas.  A Fundação Cultural de Curitiba (FCC) foi responsável pela organização do evento.

 

O prefeito de Curitiba Rafael Greca compareceu ao desfile dos grupos especiais. “Eu adoro o carnaval, é com alegria que podemos produzir o carnaval, e Curitiba tem grandes escolas de samba”, afirmou Greca.

 

A idade e a nacionalidade pouco importam nesse dia. Até mesmo chilenos, venezuelanos, colombianos compareceram no local. Antonia, turista do Chile, acompanhou o evento e disse que o Carnaval em seu país é diferente, em relação ao de Curitiba, e ainda elogiou. “É muito lindo”, afirmou.

 

A Acadêmicos da Realeza emocionou com homenagem ao apresentador Chacrinha e ficou em 2º lugar na divisão especial (Crédito: Evandro Tosin)

 

Na avenida

 

A primeira escola de samba que se apresentou foi a Enamorados do Samba, na avenida retratou a importância da ecologia e da sustentabilidade. O grupo só tem sete meses de fundação.

 

No grupo de acesso, a escola Enamorados do Samba foi a campeã, estremeceu a avenida com o som da bateria. “Eu desfilo desde quando eu era pequena, desde os meus 10 anos, estar representando uma bateria, é uma realização de um sonho”, afirmou Amanda, 20, Rainha de bateria da escola que venceu a divisão de acesso. 

 

Em seguida, a escola Unidos de Pinhais cantou seu samba-enredo sobre a mágica nas histórias infantis. Cinderelas e bruxas e entraram em cena. A Império Real de Colombo entrou na Marechal com um tema popular, a “malandragem” do curitibano. Após, os Internautas ressaltaram a importância da cultura popular da capital paranaense.

 

A chuva começou no início das escolas do grupo Especial, e isso, não atrapalhou a disposição da Imperatriz da Liberdade na avenida, trouxe a cultura afro-descendente ao retratar a capoeira.

 

Logo depois, a Embaixadores da Alegria trouxe um grande sucesso do cantor Roberto Carlos. Música lançada em 1967, no álbum ritmo de aventura, com o refrão: “como é grande o meu amor por você!”. O samba procurava valorizar a história da escola que completou 70 anos.

 

A Leões da Mocidade retratou o caminho do Peabiru, a história e cultura indígena na América do Sul. Sem demora, a Acadêmicos da Realeza surgiu com seus figurinos excêntricos, e prestou tributo aos 100 anos do nascimento de Chacrinha, o rei dos programas de auditório na televisão, que faleceu em 1988. “Ó Terezinha Ó Terezinha, é um barato o centenário do Chacrinha”, era o que dizia a música. 

 

A última escola a desfilar, foi A Mocidade Azul, que acabou ganhando o título. É a quinta vez seguida que é campeã no carnaval curitibano. Expôs o samba-enredo. “Quem canta seus males espanta. Onde está o dinheiro? Quem foi o gato que comeu?". Para os participantes da agremiação, o tema procurou discutir a corrupção e a ética no Brasil.

 

 

 

 

 

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