App criado pela Pastoral da Criança ajuda agentes em visitas

Plataforma possibilita maior agilidade no atendimento de famílias assistidas pela instituição

 Líder utilizando o Aplicativo em Visita Domiciliar (Crédito: Matheus Davilla)

 

Com o avanço e o desenvolvimento constante da tecnologia no decorrer dos anos, o mercado de aplicativos está conquistando cada vez mais espaço, especialmente nos smartphones. Aplicativos de transporte, redes sociais entre muitos outros apps já fazem parte do nosso cotidiano e trazem cada vez mais praticidade para o nosso dia a dia. Pensando nesse cenário, a Pastoral da Criança criou um aplicativo para contribuir no acompanhamento e desenvolvimento das crianças e gestantes que a instituição atende, auxiliando os líderes voluntários da associação. 

 

"O principal benefício do aplicativo é a objetividade da visita, onde o líder pode prestar um melhor serviço para as mães. O objetivo secundário é, claro, ter uma coleta online e menor custo de transmissão, onde possa dar, inclusive, orientações para o líder à respeito daquela criança", diz Dr. Nelson Arns, Coordenador Adjunto e Internacional da Pastoral da Criança.

 

 As famílias que são acompanhadas por um determinado líder recebem visitas a cada mês, e, com o aplicativo criado pela Pastoral, será permitido realizar o cadastro individual das crianças e gestantes, associar perguntas à semana de gestação ou faixa etária, dentre outras funções. Antes, essas atividades eram exclusivamente anotadas em um caderno físico, que não irá ser totalmente substituído pela tecnologia. Segundo Arns, uma série de adaptações estão sendo realizadas para que os dados possam conviver. 

 

"O acordo que fizemos com a liderança é de que o caderno pode continuar existindo por tempo indefinido", afirma o coordenador. E áreas como a região amazônica, por exemplo, onde o acesso à Internet é ruim, o papel terá que continuar sendo usado. O app é dedicado apenas aos líderes, e a ideia inicial era de que ao menos 10% tivessem acesso regular à Internet, espaço no celular e um aparelho compatível, o que chegaria a cerca de 10 mil pessoas. Confira o depoimento dos líderes sobre o  aplicativo.

 

Diferenças entre o analógico e o digital

 

Segundo Daniele Maroletto, técnica da Pastoral da Criança, o que muda do caderno impresso para o aplicativo é a praticidade e o tempo em realizar as visitas, pois, durante elas, o líder terá em mãos todas as informações que são necessárias para repassar para a família. "Após responder as perguntas, o aplicativo já aponta qual é a mensagem, ponto de atenção e página do Guia do Líder que deve ler com a família", afirma Daniele. Ambos os cadernos são usados para cadastrar as crianças e gestantes, além de anotar as informações do mês da visita.

 

Daniele também comenta que "Outra vantagem é que as perguntas estão cadastradas de acordo com a faixa etária de cada criança, fazendo com que o líder tenha um tempo maior para conversar com mãe e familiares". As informações são enviadas pela Folhas de acompanhamento das ações básicas de saúde (FABS) e há relatórios que mostram quantos líderes estão utilizando o caderno digital.

 

 O caderno foi utilizado como única forma de registro até novembro de 2016. (Crédito: Matheus Henrique)

 

O aplicativo está integrado ao sistema de informações da Pastoral, sendo possível obter dados online da comunidade, agregar por município, paróquia, subdivisão da igreja ou da república federativa. Sua identidade visual é simples e intuitiva, pensada com base no Guia do Líder e Caderno do Líder - materiais educativos impressos que já são utilizados.

 

Daiane Kovalski, responsável pelo design do aplicativo, fala sobre o processo de transição de mídias. "Como se trata da migração de um impresso para um aplicativo, o objetivo principal é que os usuários não se deparem com algo totalmente novo e consigam reconhecer as ações já realizadas no impresso, o que ajuda na usabilidade", explica. Cores, formas, ícones, tipografias e outros elementos foram extraídos para o desenvolvimento da interface. "O aplicativo é interativo porque proporciona uma experiência de uso para os líderes em conjunto com as famílias, mas também é informativo pois leva conhecimento técnico que beneficia toda a comunidade", complementa a designer.

 

 Design e funcionamento do aplicativo da Pastoral. (Crédito: Matheus Davilla)

 

Nelson Arns explica que a ideia é que o serviço se torne cada vez melhor. "É uma opção das líderes continuar em papel ou passar para a tecnologia digital, mas a impressão que eu tenho é que em poucos anos as pessoas vão preferir pela facilidade e familiaridade usar somente a parte eletrônica", afirma o coordenador. 

 

Com o app, dados mais objetivos de cada criança ficam mais claros. Há uma expectativa de que o Governo federal comece a exigir esse tipo de informação para todas as entidades que financia, que é o caso da Pastoral da Criança. "Nosso principal financiador é o Ministério da Saúde, mas já sabemos que existe o desejo de integração. Por isso já começamos a implantar o aplicativo, e eventualmente por força externa, podemos tornar obrigatório seu uso ou outro método que possua os dados criança à criança", explica Nelson. 

 

 

A Pastoral da Criança

 

O organismo social vem se desenvolvendo desde 1983, e foi fundado pela Doutora Zilda Arns Neumann (1934-2010), na cidade de Florestópolis, no Paraná. Zilda, que era médica pediatra e sanitarista contou com a ajuda de Dom Geraldo Majella Agnelo, cardeal brasileiro. No ano de sua fundação, a cada 1000 crianças nascidas vivas, 127 vinham a óbito por causa da desnutrição infantil.

 

Para executar sua função social, a Pastoral da Criança capacita líderes voluntários da instituição para realizar o acompanhamento das famílias, se organizando entre comunidade, diocese, paróquia, estado e país. Cada um deles possui equipes de conselhos e coordenação, e são oferecidos pela Pastoral ações de cidadania, nutrição, educação e saúde para contribuir com o desenvolvimento social.

 

De acordo com o site da Pastoral, o número de crianças e gestantes cadastrados no 4º trimestre de 2017 chegou a 938.816,3 crianças entre 0 a 6 anos. Em relação a famílias, o número foi de 782.32,9, sendo 3.519 municípios. Conta-se com mais de 80 mil líderes espalhadas no Brasil todo.

 

Além da Visita Domiciliar, outras atividades dos líderes são a 'Celebração da Vida', na qual uma vez por mês reúnem-se líderes, pais e as crianças acompanhadas para festejar e compartilhar conhecimento. Também é feito a pesagem e a medição da altura para o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). Para discutir casos mais delicados, é feita a Reunião para Reflexão e Avaliação (RRA).  

 

 

 

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