Artesanato em couro conserva a tradição do trabalho manual

14.08.2018

Ramo privilegia produção manual para entregar peças personalizadas

 Fabiano iniciando os primeiros passos da confecção de um cinto personalizado, um trabalho de paciência e minuciosidade. (Crédito: Icaro Couto)

 

 

Sendo incapazes de competir com as grandes indústrias, os artesãos começaram a focar mais na qualidade e exclusividade dos seus trabalhos, destinando-os a um público mais seleto que estivesse disposto a pagar por peças únicas. Quem que procura esse tipo de serviço são pessoas que desejam adquirir produtos exclusivos que fujam aos padrões daquilo que é feito em larga escala pelo varejo industrial. A procura por produtos artesanais vai desde a peças de roupa até objetos do cotidiano, tais como facas, chaveiros e carteiras.

 

Desde o início da Revolução Industrial, a humanidade vem testemunhando o trabalho artesanal ser substituído pela ação de máquinas cada vez mais velozes. As altas demandas dos mercados consumidores exigiam uma produção em massa, que pudesse acompanhar as necessidades de uma sociedade que caminhava rumo a uma mudança estrutural no que se entende por bens de consumo e métodos de produção.

 

Fabiano Sabbath, 40 anos, faz um caminho inverso, sendo um dos poucos artesãos curitibanos conhecidos por trabalhar com couro convencional ( de boi) e exótico (jacaré ou cobra, por exemplo), produzindo suas peças de maneira completamente manual. Sabbath diariamente confecciona carteiras, cintos, chaveiros e aventais, tendo como sua maior clientela seus colegas e amigos além do público da cultura do motociclismo, em geral.

 

Em sua página no Instagram  e no Facebook ele posta diversas fotos das peças que produz  desde o princípio do seu aprendizado até o momento atual. De acordo com ele, esse ainda é um mercado sazonal , pois não há uma demanda garantida de procura por produtos. "Tem meses em que se pode fazer apenas uma peça, ou então um lote destinado a um motoclube inteiro" afirma.

 

O artesão explica que o tempo gasto para fazer seus produtos é muito relativo. Peças mais simples geralmente levam até duas horas e meia para serem confeccionadas e peças mais elaborados podem levar vários dias para serem concluídas.

                            Sabbath mostrando o cinto finalizado, produzido sob encomenda. (Crédito: Icaro Couto) 

 

Para se capacitar no trabalho com couro, Sabbath fez um curso presencial com duração de 4 meses, tendo aulas práticas 5 dias por semana, sob a tutela do mestre cuteleiro Peter Hammer, que atualmente reside no Canadá.  As principais diferenças entre um produto artesanal e um bem manufaturado industrial, segundo o artesão, são que, “Além das peças que eu faço serem feitas sob medida, o cliente ainda pode pedir que elas sejam personalizadas a seu gosto. A durabilidade também é muito maior”.

 

Alysson Adriano Porto, 38 anos, motociclista, é cliente antigo, sendo proprietário de um colete feito pelas mãos de Fabiano. De acordo com Alysson, o fator exclusividade é o principal diferencial na hora de comparar um produto artesanal a algo feito em larga escala. Além disso, a opção de poder personalizar o item de acordo com o gosto do cliente contribui para a valorização do trabalho e da marca. O motociclista salienta que ,em países como os EUA, os artesãos são muito valorizados, pois a cultura deles prioriza os detalhes,

 

Sabbath revelou que não tem interesse em dar aulas e ensinar a sua arte para terceiros, por falta de tempo e espaço disponíveis. Ainda assim, ele está ensinando sua filha Amanda, de 16 anos, que já demonstra interesse em seguir os passos do pai e não deixar que as técnicas manuais desenvolvidas com muito custo se percam com o tempo.

 

O artesão fala das diferenças entre um produto feito de maneira artesanal e um bem manufaturado em massa. (Crédito: Icaro Couto) 

 

 

 O artesanato ao longo da história

 

De acordo com Otacílio Vaz, historiador formado pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), mestre em Comunicação e Linguagens  pelo IBPEX (Instituto Brasileiro de Pós-graduação e Extensão ) e atualmente professor de História da Arte no Centro Universitário Internacional UNINTER, "a atividade do artesanato se confunde com a própria história da humanidade, pois, a partir do Neolítico quando o homem não precisa mais de tanto tempo de digestão, por estar  se alimentando de carne assada no fogo, inicia-se um período de grande atividade intelectual, que irá envolver a manufatura de diversos tipos: instrumentos musicais, vasos, anzóis de pesca, pontas de lança, entre outros".

 

O professor ainda diz que  "com o surgimento das primeiras civilizações fluviais como a China, Índia, Mesopotâmia e Egito, a atividade artesanal passa a traduzir os valores de uma determinada cultura, com suas tradições, seus hábitos, seus costumes",  salientando assim a importância do artesanato para a afirmação da identidade cultural de um povo.

 

Podemos citar como exemplo os Celtas, cujo uso de colares como adornos serviam para demonstrar status social já que apenas nobres e bravos guerreiros poderiam possuir tais peças. Também encontramos fatos parecidos no Japão Feudal, aonde a produção de espadas samurais (Katanas) seguia todo um rígido procedimento ritualístico e servia igualmente para ostentar status e nobreza.

 

Otacílio afirma que vemos agora, no século XXI, um resgate da valorização dos trabalhos manufaturados, como um tipo de resposta ao desgaste que os produtos feitos em série geraram e um tipo de crítica ao consumo exacerbado e aos itens descartáveis.

 

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