Futsac: o único esporte que usa bola revestida de crochê

 

Modalidade nascida em Curitiba vem ganhando cada vez mais popularidade e se destacando no país

 

As bolinhas utilizadas no Futsac foram evoluindo com o tempo. Hoje, são revestidas com crochê. (Crédito: Lucas Ravel)

 

 

Criado num fundo de quintal, em 2002, por Marcos Juliano Ofenbock, o Futsac é um híbrido de  futevôlei, futebol e tênis. A prática, que ainda é pouco conhecida pela maioria da população, atrai praticantes de diversas idades e condições sociais. A ideia surgiu quando, durante um intercâmbio na Austrália, Ofenbock conheceu o Footbag, também conhecido como Hacky Sack - esporte que as pessoas fazem malabarismos com uma bola pequena. Ofenbock conta que um dos praticantes era o neozelandês Thomas, que o apresentou ao esporte e que, ao saber que não existia no Brasil, o questionou: “No país do futebol, não existe esse esporte?”.

 

As regras do Footbag inspiraram as do Futsac: a bola não pode cair no chão e nem ser tocada pelas mãos. As primeiras bolinhas foram criadas pelo próprio Marcos, que as confeccionou e batizou como Futsac. As primeiras eram recheadas com pedra brita, porém era inviável para produção em larga escala, o que fez com que fosse substituída por plástico granulado - produto reciclado de garrafas pet. Pouco tempo depois, ele buscou uma maneira de revesti-las, e foi com o crochê que encontrou o melhor acabamento.

 

No início, o esporte que recebia o mesmo nome da bolinha, era jogado em círculo apenas por diversão, mas Ofenbock conta que já pretendia adaptá-lo para as quadras. Em 2006, os primeiros testes foram feitos em um restaurante da sua família, onde estendia panos no chão, usava um varal como rede e jogava o Futsac com seus familiares e amigos. Em razão da origem brasileira e para se tornar acessível, o esporte, que nasceu como como Footsack, passou a ser chamar Futsac.

 

O sonho de construir uma quadra oficial para o Futsac tomou forma quando, graças a amigos, Marcos Ofenbock conseguiu encontrar um lugar ideal e fez, nos fundos, a primeira quadra da história da modalidade. Hoje, o local, além de receber campeonatos, também é a sede da Confederação Brasileira de Futsac (CBFSAC), entidade máxima da modalidade, criada em 2007 e que possibilitou não só a organização, mas também o reconhecimento do futsac como esporte. Hoje, além da CBFSAC, também existe as confederações gaúcha, catarinense e paranaense. 

 

Em 22 de outubro de 2011, foi realizada a cerimônia de oficialização do esporte como uma criação paranaense, na qual ele foi reconhecido por autoridades estaduais e federais. Em 2016, foi sancionado como lei como um esporte de criação totalmente paranaense. Outra grande conquista foi a criação de quadras em praças públicas em Itapema e Curitiba, na Praça da Paz e no Parque Barigui, respectivamente.  O criador do esporte confessa que deseja vê-lo um dia como esporte olímpico. "Meu grande sonho é que daqui há 15 anos o Futsac vire um esporte olímpico", conta.

 

Como é um esporte também inspirado no futevôlei, a principal regra é não usar as mãos, sendo permitido o uso de tronco, pés, pernas e cabeça para passar a bola por cima de uma rede de 1,5 metro de altura. Na modalidade individual, pode se tocar nas bolinhas duas vezes, já nas duplas, cada atleta poderá tocar duas vezes seguidas e, ao todo, a dupla pode dar até cinco toques na bola.

 

Assim, o  Futsac pode ser explorado como um instrumento de desenvolvimento psicomotor para crianças e, por isso, já está incluído na matriz curricular de algumas escolas do ensino fundamental. Mário Rodrigo, irmão de Marcos Juliano, é professor do Futsac nas escolas e comentou sobre o aprendizado: "Primeiramente, as crianças iniciam jogando com as mãos, mesmo não sendo permitido pelas regras, até terem habilidade para jogar com os pés, o que é algo mais difícil e demorado." Em Piraquara (PR), por outro lado, a modalidade é explorada como instrumento de reinserção social para presos. Até mesmo um campeonato entre detentos já foi realizado. 

 

 

 

 

 

 

A bola

 

 

 A bola do Futsac é um dos pontos mais curiosos e interessantes. Feita com acabamento em crochê, ela, além de ser agradável visualmente, tem também uma parte social em sua criação que a transforma em algo especial na vida das crocheteiras que confeccionam a bola.

 

 A bolinha é composta internamente por plástico granulado reciclado de garrafas pet, o que faz com que um esporte criado na capital paranaense, conhecido por muitos como capital ecológica, tenha uma preocupação maior com o meio ambiente.

 

 Este plástico é envolto em um saco pequeno feito de tecido suplex, e é em cima disso que vem a parte mais interessante da bolinha. O Futsac é o único esporte no mundo que usa crochê. Para confeccionar as bolinhas em larga escala, Marcos criou a Associação Curitibana de Crochê que funciona unicamente para a criação das bolinhas. Foi criada em 2006.

 

 A ideia surgiu quando era preciso de pessoas capacitadas para criarem as   bolinhas em larga escala, e hoje é presidida por Rosely Vaz. As crocheteiras realizam treinamento, e recebem o material necessário em suas casas.

Muitas das mulheres envolvidas na criação das bolinhas são de baixa renda e usam o Futsac como uma forma de complementarem seus ganhos, portanto, além de ser um esporte, o Futsac também um meio social por onde as pessoas podem ingressar e conseguirem melhores oportunidades.

 

 

 

 

Campeonatos

 

 Em 2007 Marcos organizou o primeiro campeonato de Futsac da história, com 16 participantes e muitos amigos na disputa, ele conseguiu fazer com que a competição fosse muito acirrada e com emoção, tendo como arbitro um amigo de Marcos que já havia apitado em competições de futebol de salão, o Juliano Lori. Na Grande final Marcos levou a melhor, em disputa fantástica com seu irmão, ele se sagrou campeão e recebeu elogios sobre a organização do campeonato e sobre o novo esporte criado, fazendo com que o idealizador fomentasse ainda mais a vontade de oficializar esse esporte.

 

 Assim, em 2007 foi criada a primeira Associação Brasileira de Futsac, para poder formar uma diretoria de arbitragem, associar atletas e oficializar competições. Logo em seguida, com muita força de vontade, foi criada a confederação brasileira do esporte, para a criação dessa entidade seria necessário que tivesse ao menos três federações filiadas.

Marcos teve a ideia de divulgar o esporte em praças e parques, visando a popularização ele levou o Futsac para fora do estado, isso permitiu que mais pessoas conhecessem e praticassem a modalidade. Com isso, ele conseguiu criar três federações a paranaense, catarinense e gaúcha.

 

 Em dezembro de 2008 foi realizado o primeiro campeonato brasileiro de Futsac, em Itapema sc.  A competição foi um sucesso, isso deixou Marcos muito feliz, que organizou mais 7 edições do torneio, tendo como o maior campeão Willian Alves, o atleta de Santa Catarina levou 6 taças.

 

 

As regras

 

 Quadra oficial do Futsac,localizada nos fundos da CBFSAC. Foi palco do primeiro campeonato do esporte. (Crédito Lucas Ravel)

 

 

 A quadra possui 10m de comprimento por 5m de largura para o jogo em duplas e 8m de comprimento por 5m de largura no individual. Nela, há uma rede de 1,5m de altura no meio. O jogo pode ser jogado em diferentes pisos, como sintético, grama normal, concreto ou emborrachado. É composta por duas linhas de fundo para cada modalidade, duas linhas laterais, uma linha central que fica abaixo da rede, duas linhas de 1m, onde os jogadores não podem cabecear dentro dela para evitar acidentes e eventuais choques e duas linhas divisórias, onde deve ser feito o saque cruzado na modalidade individual.

 

 Os jogos são realizados em 3 sets de 21 pontos, onde quem conquistar dois sets, vence a partida. Caso a partida fique empatada em 20 a 20, o jogo prossegue até algum atleta conseguir dois pontos de vantagem, ou até alguém conseguir 30 pontos primeiro. O ponto é adicionado sempre que a bola cai ao chão, dentro dos limites da quadra. Caso a bola caia fora, o ponto é computado ao adversário. São permitidos no máximo 2 toques por atleta no individual, sendo que o saque não pode ser devolvido de primeira. Já nas duplas, são permitidos dois toques consecutivos por jogador, e 5 no total da dupla. 

 

 Para sacar, o jogador deve lançar a bola para cima com as mãos e passa-la ao campo adversário com qualquer parte do corpo permitida. No individual, o saque deve ser cruzado e toda vez que alguém marcar dois pontos consecutivos, o sacador deverá ser trocado. Já nas duplas, a regra do saque cruzado é desprezada e saca quem fez o último ponto e em todas as modalidades, há 6 segundos para o atleta realiza-lo.

 

 O jogador não pode usar as mãos, antebraço e braço e, se tocar, mesmo que involuntariamente, o ponto vai para o adversário. Também é impossibilitado ao atleta tocar a rede em qualquer momento do jogo, bem como conduzir a bola com qualquer parte do corpo. O ponto é dado ao rival também quando se cabeceia dentro da linha de 1m e quando há qualquer invasão por cima ou baixo da rede. Há durante cada jogo de Futsac seis árbitros que são responsáveis pelo andamento da partida.

 

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