Cresce a procura por autodefesa feminina como esporte

Prática proporciona proteção no dia a dia, além de bem-estar, saúde e autoestima

 

 Praticando o Muay Thai, Academia Blackbelt USA. (Créditos: Blackbelt USA)

 

A procura por esportes de autodefesa pelas mulheres, tais como o Krav Magá e o Muay Thai, tem aumentado. Isso pode ser fruto de uma tentativa de proteção em relação aos dados alarmantes da violência contra mulher. A Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) divulgou o "Mapa da Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil", o qual mostra que quase metade dos casos de atendimento recebidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 48,7%, são de violência física e a maioria ocorreu em vias públicas (31,2%).  Além disso, 48,8% das mortes são ocasionadas por armas de fogo.

 

Conforme dados do Mapa da Violência, em 2013 Curitiba registrou 58 casos, com uma taxa de crescimento de 7,8% a cada 100 mulheres na capital. Um dado preocupante foi o aumento de 13,1%, na taxa de homicídio entre 2006 e 2013 com 379 casos somente na região Sudoeste.

 

 

Curitiba encontra-se na 18° posição no ranking para cada 100 mil mulheres vítimas de homicídio. Registros de violência doméstica, infanticídio e crimes raciais também foram contabilizados. A maioria das agressões ocorre com mulheres negras, na faixa etária de 18 a 30 anos.

 

Desde a implementação da Lei Maria da Penha, em 2006, a violência contra a mulher registrou uma queda de 2,6% ao ano nos homicídios. Antes da ponderação da lei, a taxa chegava a 7,6%. Porém, as violências ainda são constantes e, muitas vezes, os agressores são aqueles que possuem laços afetivos com a vítima.

 

Apesar dos cuidados, muitas mulheres ainda são vítimas letais (feminicídios) e não letais da violência (agressões, assédios). Por isso, estão buscando por mais proteção a partir da autodefesa.

 

 

Krav Magá: exercícios físicos aliados à proteção

 

Em meados 1940 surgia o Krav Magá, técnica de autodefesa para manter-se vivo no período da Segunda Guerra Mundial. Criado por Imi Lichtenfeld, em Israel, era apenas de uso do exército para atividades militares. Após transferir essa técnica ao Mestre Kobi, houve a expansão da prática da defesa pessoal por todo o continente, inclusive no Brasil.

 

A Federação Sul Americana de Krav Magá é responsável em legitimar a prática no Brasil. Seu objetivo é manter a essência da obra de Lichtenfeld e capacitar instrutores para atuar nos mais diversos estados brasileiros, além de promover eventos e seminários para  divulgar a autodefesa.

 

Fernanda Madleiner é instrutora há seis anos pela Federação Sul Americana de Krav Magá, filha de Gerson Madleiner, fundador da sede do Krav Magá em Curitiba no ano de 1996.  Ela explica sobre o que significa a prática: "é uma técnica simples, com movimentos simples e rápidos baseados no próprio corpo, sendo que o movimento é trabalhado com força de explosão. Então, a gente sai do zero da energia de descanso para a máxima de explosão. Rápido como uma mola, máximo explosivo".

 

O Krav Magá tem como objetivo focar nos pontos específicos e sensíveis do agressor. Fernanda diz que, independentemente do tamanho ou da construção muscular, o olho e o meio das pernas são pontos sensíveis, onde o agressor vai sentir dor. 

 

EntreVerbos realizou uma entrevista com uma das alunas, Silmara Zonta, faixa amarela da academia. A classificação de faixa ocorre por tempo de experiência e desempenho do aluno, com um sistema de graduação por cores.

 

 Aluna Simara nas aulas do Krav Magá. (Crédito: Priscila Michele)

 

Krav Magá é uma prática de autodefesa que pode ser exercida e aprendida por qualquer indivíduo com características diferentes.  Como afirma a instrutora: "Krav Magá não é uma arte marcial, não é um esporte, é uma defesa pessoal."

 

O objetivo do Krav Magá é ensinar as pessoas a sobreviver, saber defender-se da violência urbana ou contra a mulher. "Isso é o mais importante: a mulher conseguir chegar viva em casa", conclui Fernanda. O Krav Magá também proporciona mais autoestima e um bom condicionamento físico as mulheres. 

 

Muay Thai: um esporte milenar

 

Alunas treinando na academia Blackbelt MMA School, Curitiba- PR.  (Créditos: Priscila Michele)

 

O Muay Thai surgiu na Tailândia. Conhecido como Thai Boxing em alguns países, é uma arte marcial com mais de 2 mil anos, que nasceu como defesa da população na época. Para se protegerem dos ataques que sofriam no caminho, durante as migrações, os tailandeses criaram técnicas de lutas como o Muay Thai, que passou por diversas mudanças até os dias de hoje — incluindo aspectos do boxe inglês, como a divisão por peso e o uso de luvas.

 

A prática fortalece o corpo e favorece a queima de uma grande quantidade de calorias, além de  aumentar a resistência cardiovascular, melhorar o condicionamento físico e a coordenação motora. O esporte regular  favorece a produção de endorfinas, que são hormônios que trazem a sensação de bem-estar, e ajudam a reduzir a quantidade de hormônios que causam problemas de humor e excesso de peso, além de aumentar a concentração de hormônios que trazem serenidade.  

 

O instrutor da academia BlackBelt MMA School em Curitiba,  Élcio José, afirma  que "a procura por este esporte tem sido grande pelas mulheres que buscam emagrecer, além da autodefesa". O Muay Thai é um dos esportes preferidos para aqueles que buscam condicionamento físico e querem sentir-se bem com seu corpo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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