Moda consciente quebra paradigmas

Algumas pessoas mudam seus hábitos a fim de reduzir os impactos do consumo

Grazi Sivrenhofre customiza peças de seu vestuário e cria um estilo diferenciado (Crédito: Eula Quadra)

 

Nos últimos anos cresceu o número de pessoas preocupadas com o meio ambiente. No entanto, ainda é um desafio mudar, pois o consumo consciente não envolve apenas informação. O indivíduo deve usar o conhecimento para traduzi-los em atitudes. Ou seja, é uma questão de mudanças de hábitos.

 

Os impactos causados pela humanidade são devastadores. Dados do Ministério do Meio Ambiente apontam que consumimos 30% mais recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra.  Se continuarmos com esse ritmo de consumo, em 50 anos precisaremos de dois planetas Terra para atender nossas necessidades.

 

A indústria da moda ocupa o segundo lugar no ranking de indústrias mais poluentes, "perdendo" apenas para o setor do petróleo. Os números são surpreendentes. A viscose é uma fibra artificial, mas tem como matéria-prima a celulose, o que exige a derrubada de 70 milhões de árvores anualmente. As calças e malhas de poliéster demoram mais de 200 anos para se decompor e o cultivo do algodão causa impactos no solo e na água, pois a fibra natural é o que mais demanda o uso de substâncias tóxicas.

 

Embora o consumismo, muitas vezes, esteja atrelada à moda, há outras questões envolvidas. Além de representar personalidades através da estética, ao longo da história, ela se estabeleceu como uma forma de status social. É o consumo desenfreado de roupas e acessórios que tem deixado grandes marcas no meio ambiente. Porém, há formas para reduzir os impactos sociais e ambientais dessa indústria.

 

A professora de moda Flávia Itiberê comenta que hoje a preocupação com o meio ambiente já está presente no universo da moda. Segundo ela, "esta macrotendência reflete o espírito do tempo e vem deixando de ser feita somente para quem se preocupa com o meio ambiente, atingindo o mainstream; todavia, muitos consumidores desatentos ainda não são totalmente informados sobre os problemas que a indústria da moda gera." 

 

 

Moda sustentável

A moda sustentável também é conhecida como eco fashion e utiliza métodos e processos menos poluentes na fabricação de roupas, como corantes naturais, produção com tecidos ecológicos, reciclados e descartados. As peças são feitas para terem um longo ciclo de uso, ou seja, há uma valorização da durabilidade. 

 

A estudante de moda e figurinista Rachel Raikoski inspirou-se na estilista italiana Elsa Schiaparelli para a criação da coleção "O amor e suas fases". As duas têm em comum a maneira de trazer inovações para suas produções. "O que importa é o meu conforto, claro que trago várias referências de moda, mas não me importo com a opinião alheia, prefiro estar confortável" afirma Rachel. 

 

Rachel decidiu usar restos de tecido para confeccionar as peças de sua coleção. Ela conta que a única coisa que comprou foi o turbante. Cada item da roupa tem um significado: o colete traz uma mistura de conceitos de moda sustentável e há vários símbolos que representam o amor. "Os corações na parte de trás representam os vários amores que encontramos e as marcas que eles deixam em nossa vida", comenta. 

 

"O amor e suas fases" é o nome da coleção criada por Rachel. (Crédito: Rodrigo Gomes)

 

Moda consciente

Assim como a moda sustentável, a moda consciente busca produtos de melhor qualidade. O consumo consciente avalia as ações pré e pós-consumo. A moda consciente depende do consumidor tomar uma atitude e se desvincular do consumo apenas por desejo, a slow fashion pensa na estética como atemporal, criando peças versáteis e de melhor qualidade, para que não sejam descartadas após pouco tempo de uso. 

 

Segundo um artigo publicado pela Forbes, a moda consciente é uma filosofia de vida, pois a pessoa deve descobrir qual é o estilo que mais lhe agrada e investir nele. Isso evita que o armário fique cheio com roupas que nem se quer vai usar. 

 

A estudante de moda Grazi Sivrenhofre afirma comprar roupas em brechós e customizar peças, pois assim cria um estilo diferente e único. "Meu objetivo é mostrar para as pessoas o que é consumo consciente. Pois não é somente garimpar brechós", diz Grazi. 

 

Coleção "Sonho de uma noite estrelada" (Crédito: Eula Quadra)

 

Brechós em alta

O gosto por roupas e acessórios se tornou um negócio para  as amigas curitibanas Caroline Coelho e Camila Yumi Imazato. As duas decidiram criar neste ano o brechó online bazar.mofu. O perfil do Instagram já tem mais de 1300 seguidores.

 

Segundo elas, é muito bom ver como o comportamento das pessoas está mudando. Antes  fato de comprar nestes lugares carregava o estigma de "coisa velha", com pouco valor, e hoje já está associado a um status, a algo moderno . 

 

O preço acessível e a exclusividade são os diferenciais dos brechós. Os clientes buscam sempre algo incomum. Para as empresárias, o perfil de seus clientes é de alguém que quer economizar sem abrir mão do estilo. 

 

 Página do Bazar.Mofu no Instagram. (Crédito: Reprodução do Instagram)

 

 

 

 

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