Leitura no Brasil: desigualdade entre escolas públicas e privadas persiste

Relatório revela que 53% dos brasileiros não leem livros regularmente e acesso nas escolas públicas continua sendo um desafio
Autora: Evelyn Araujo

Quem lê, lê o quê?
Mais da metade dos brasileiros não lê regularmente e o acesso à leitura nas escolas segue desigual, desafiando o objetivo de garantir educação de qualidade e inclusiva para todos.
Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 53% da população não leu livros nos últimos três meses, seja em versão impressa ou digital. Essa queda de prática de leitura nas escolas envolve questões estruturais, relações familiares e transformações históricas.
“Eu já li livros quando estava no fundamental: Chapeuzinho Vermelho e Cinderela [...]. Eu não lembro a última vez que li um livro. Gosto mais de assistir série”, afirma Elisa Rocha, 16, aluna do segundo ano do ensino médio na Escola Estadual Louis Braille, em Guarulhos (SP).
A fala de Elisa retrata o desinteresse de muitos jovens. Cronicamente online, 83% das crianças e adolescentes brasileiros acessam diariamente redes sociais como WhatsApp, Instagram e TikTok.
Desafios dos professores
A falta de investimento governamental também dificulta o trabalho docente. Leila Souza, professora de leitura na Escola Jardim Bopeva, afirma:
“É muito complicado contar com o comprometimento dos alunos [...]. Lemos Dom Casmurro (Machado de Assis) no primeiro semestre, mas a maioria não gostou ou nem terminou. Muitas vezes não temos cópias suficientes na biblioteca para todos”.
Enquanto muitos alunos da rede pública não sabem quem foi Machado de Assis, estudantes de colégios particulares, como o Mackenzie, em São Paulo, já passaram pela literatura brasileira e leem clássicos mundiais, como 1984, de George Orwell.
“Eu gosto muito de ler. Prefiro livros famosos no TikTok. Esse ano já li uns cinco ou seis livros”, comenta Marcela Assis, de 15 anos e estudante do colégio Mackenzie em Higienópolis (SP).
Segundo o Censo Escolar, apenas 31% das escolas públicas brasileiras possuem biblioteca. Nas particulares, esse número é muito maior, ampliando a desigualdade de acesso à leitura.
Mercado editorial e incentivo
Apesar de estudantes de escolas privadas terem mais acesso à leitura, o cenário preocupa. Entre os dez livros mais vendidos no Brasil em 2025 (PublishNews), os títulos se dividem entre livros de colorir, devocionais gospel, autoajuda, coaching e youtubers.

Essa realidade desafia o objetivo de formar leitores críticos e reflete a urgência de políticas públicas que promovam acesso e incentivo à leitura de qualidade.








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