Previsão de calor intenso alerta para riscos à saúde no Brasil

Autora: Amanda Rech
Com a chegada do verão e a previsão de um El Niño muito forte, a exposição ao calor exige atenção. Dados do DATASUS mostram os principais agravos e as faixas etárias mais atingidas.

Com a aproximação do verão, o calor volta a ocupar espaço entre as preocupações de saúde pública no Brasil. A combinação de temperaturas elevadas, exposição prolongada ao sol e maior permanência em ambientes externos pode favorecer desidratação, exaustão pelo calor e insolação.
Dados consultados através do DATASUS ajudam a dimensionar o problema. Entre os agravos classificados na CID-10 T67, que reúne efeitos do calor e da luz, a exaustão pelo calor corresponde a 42% dos registros apresentados na consulta, enquanto o golpe de calor e a insolação representam 25%. Cãibras pelo calor aparecem com 15%, síncope ou desmaio com 10%, edema pelo calor com 5% e outros efeitos com 3%.
A faixa etária também chama atenção. A taxa de internação informada pelo DATASUS chega a 14,2 por 100 mil habitantes entre pessoas com 75 anos ou mais. Entre 60 e 74 anos, o índice é de 6,4. Os valores são de 3,8 entre crianças de 0 a 4 anos; 1,2 entre 5 e 19 anos; 1,8 entre 20 e 39 anos; e 2,5 entre 40 e 59 anos.
Segundo o Ministério da Saúde, a insolação é uma condição séria associada ao excesso de calor e à exposição ao sol. Entre os sinais estão dor de cabeça, tontura, náusea, pele quente e seca, temperatura elevada e confusão mental. O órgão orienta buscar atendimento médico diante de sinais de insolação e recomenda evitar a exposição ao sol nos horários mais quentes, manter a hidratação e usar roupas leves e proteção solar.
A médica dermatologista Evódie Fernandes explica que a exposição excessiva e prolongada ao calor e à radiação solar pode comprometer a capacidade do organismo de regular a temperatura corporal.
“Entre os principais sinais de alerta estão tontura, dor de cabeça, náusea, vômitos, fraqueza, febre e a pele muito quente e avermelhada. Em casos mais graves, a pessoa pode apresentar confusão mental. Por isso, é importante evitar a exposição direta e prolongada ao sol, procurar locais com sombra e manter uma boa hidratação.”
Em entrevista para a reportagem, a auxiliar administrativa Márcia Krug, relatou como o mal-estar pela insolação pode aparecer rapidamente. Durante uma viagem à praia, ela percebeu que estava muito vermelha e começou a sentir tontura. “Sofri com insolação em uma viagem para a praia, quando percebi já estava toda vermelha e comecei a ficar tonta, fui correndo para o hospital. Sem perceber é rápido demais, já estava toda queimada. A pele ardia como fogo”, relata.
A previsão de um El Niño de forte intensidade aumenta a atenção para os próximos meses. Em atualização de 10 de setembro de 2026, o INMET informou probabilidade superior a 90% de ocorrência do fenômeno durante a primavera de 2026 e o verão de 2026/2027, período que pode ser marcado por temperaturas mais elevadas e episódios de calor intenso. A projeção também aponta 75% de probabilidade de o evento ser o mais forte desde 1950 no trimestre de outubro a dezembro de 2026.
Por isso, a prevenção precisa acompanhar a chegada da estação mais quente. É importante manter água disponível, fazer pausas em locais frescos ou com sombra, evitar atividades físicas intensas nos horários de maior calor e prestar atenção a sinais como tontura, fraqueza, dor de cabeça e náusea. Crianças, idosos e pessoas que trabalham ou permanecem por longos períodos ao ar livre exigem cuidado redobrado.
Dados nacionais extraídos diretamente do DATASUS reúnem registros de agravos classificados na CID-10, código T67. Os valores apresentados por faixa etária correspondem às taxas de internação por 100 mil habitantes.

Proteção contra o calor precisa fazer parte da rotina
A proteção contra o calor começa antes do aparecimento dos primeiros sintomas. O Ministério da Saúde recomenda evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h, beber líquidos regularmente, usar roupas leves e protetor solar e permanecer em locais frescos e com sombra sempre que possível.
A dermatologista Evódie Fernandes reforça que a proteção deve fazer parte da rotina, e não apenas dos dias de praia. Ela recomenda chapéu de aba larga, óculos escuros, hidratação e redução do tempo de exposição direta ao sol. O protetor solar deve ter proteção de amplo espectro contra UVA e UVB e ser reaplicado a cada duas horas ou após suor excessivo e contato com a água.
As altas temperaturas podem provocar diversos desconfortos e comprometer o bem-estar. Sensação de fraqueza, enjoo, vertigem e cefaleia estão entre os sinais que devem ser observados. Vermelhidão e aquecimento excessivo da pele, além de desorientação, também podem indicar uma reação mais séria ao calor. Caso os sintomas sejam fortes ou se intensifiquem, é recomendado buscar assistência médica.








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