Dependentes da internet

 O vício nas redes sociais e aplicativos de mensagens podem causar doenças graves  

Cada vez mais as pessoas usam o celular e aplicativos de mensagens no seu dia a dia. (Créditos: Karina Zanyck)

  

 

Quando há bloqueio do WhatsApp, algumas pessoas ficaram angustiadas sem poder se comunicar. Principalmente, aquelas que usam o aplicativo para trabalho e estudo. Alguns até utilizaram outros aplicativos de mensagens instantâneas ou até mesmo o Facebook para continuarem conectados .

 

A auxiliar administrativa, Luana Caroline, diz: “Fiquei brava, porque uso o WhatsApp para várias coisas. Tenho grupo da faculdade e não uso para diversão, mas para trabalho. Sem ele eu perderia muito tempo e também não poderia me  comunicar com meus colegas”.

 

Para a vendedora Cristiane Oliveira, ficar sem o aplicativo não foi problema nenhum. Ela diz “não tenho o costume de ficar muito tempo no WhatsApp, na verdade não tenho muita paciência para isso. Por isso, quando soube do bloqueio não liguei, pois para mim não faz falta, apesar de usá-lo algumas vezes para o trabalho. Mas mesmo sem o aplicativo, ele não afeta o meu trabalho”.

 

Cristiane ainda comenta que usa o Facebook de uma forma moderada, que não o utiliza todos os dias, “quando entro só vejo as notificações e já saio, não fico mais de 10 minutos online”, por isso, não se considera dependente das redes sociais e do WhatsApp, porque se ficar sem internet, não haverá importância. “Vou procurar ler um livro, ouvir música, assistir um filme, ou passear, caminhar no parque, algo assim”.

 

Porém, há aqueles que não conseguem ficar sem a rede social, como diz a ajudante de gerente, Deise dos Santos. “Não consigo ficar sem o Facebook, é a rede social em que mais me sinto à vontade. Estou sempre compartilhando coisas que gosto. Uso também para falar com meus familiares, amigos que moram longe, é a única forma de contato que tenho com eles”.

 

Os doenças que surgiram desse vício

O psicólogo Rael Dill de Mello afirma que os recentes estudos apontam para um aumento de  pessoas que estão utilizando as redes sociais. Mello indica que "uma pesquisa realizada com estudantes da Universidade de Albany demonstrou que o uso do Facebook é potencialmente viciante, e que muitas pessoas podem utiliza-lo de maneira análoga, como viciados em substâncias. Uma característica interessante da pesquisa é que os cientistas adequaram um questionário usado para avaliar o vício em álcool, substituindo, nas perguntas, pela rede social”.

 

Quando a questão é se há procura de pacientes com esse vício, não há uma demanda por esse problema específico. Porém, “é muito frequente que comportamentos compulsivos ligados à presença digital estejam presentes em quadros depressivos e de ansiedade”, afirma Mello. Ele diz também que uma alteração psicóloga causada por esse vício é um comportamento ligado “a resolução de uma ânsia e a diminuição da ansiedade”. As consequências podem ser “em diversos domínios e níveis, desde os problemas posturais e dificuldades de concentração até isolamento social e agravamento do quadro clínico depressivo”, conclui o psicólogo.

 

O vício nas redes sociais e aplicativos de mensagens podem acarretar em várias doenças. Uma delas é a Nomofobia, que surge quando alguém se sente impossibilitado de se expressar virtualmente ou quando o indivíduo se vê incomunicável por estar sem seu aparelho de celular. Surge um medo irracional persistente e excessivo de ficar sem o aparelho a ponto de gerar uma resposta imediata de ansiedade. Outra é a Síndrome do Toque Fantasma, que é quando a pessoa tem a sensação que o celular tocou, sem de fato ter tocado. Outro sintoma dessa doença é achar que aparelho telefônico tocou por estímulos, como um formigamento ou coceira, sendo apenas uma má interpretação desses fatores. Esta síndrome ocorre principalmente com pessoas que utilizam muito o celular.

 

Também há o Hipocondríaco Digital, que a pessoa teme ter alguma doença, a partir de uma doença que viu na internet ou alimentar a essa doença procurando alguma na web, chegando a conclusões erradas, mas que geram ansiedade. Por fim, a Náusea Digital ou Cybersickness, que é causada por algumas funções dos aparelhos digitais. Como, por exemplo, a aproximação ou afastamento de imagens ao clicar em aplicativos. A pessoa pode sentir que irá vomitar, apresentando um mal-estar.

 

Segundo Mello, a discussão sobre as doenças causadas por isso é recente e “os manuais de saúde de relevância internacional, como o DSM-V, ainda não tem um quadro com critérios diagnósticos para doenças específicas ligadas ao uso compulsivo de internet e jogos”.

 

O problema está, segundo estudiosas da área, quando abrimos mão da convivência real e passamos a nos dedicar a esse meio. Quando o meio virtual passa a ter mais importância na nossa vida, ser mais prazeroso ou quando desperta reações anormais.

 

 

Crianças e o vício com as redes sociais

 

Com a internet acessível a todos, ficou mais fácil crianças e jovens utilizarem as redes sociais. Algumas delas nasceram nessa era digital, já aptas a mexerem nesses dispositivos. Com isso, surgem os vícios que os jovens ficam cada vez mais dependentes de estarem sempre conectadas nas redes sociais e em aplicativos de mensagem instantânea, fazendo diversas coisas ao mesmo tempo.

 

Essa facilidade com o mundo digital, entretanto, pode afetar a saúde, principalmente das crianças. E muitas vezes, para que elas fiquem quietas os pais acabam optando por usar as tecnologias a seu favor. Porém, a permissão para que as crianças passem muito tempo conectadas é um fator preocupante para a saúde.

 

É um dever dos pais controlar e monitorar o que seus filhos acessam na internet. “Recomenda-se que os cuidadores tenham ciência de quais sites a criança acessa, o que ela costuma postar e compartilhar nas redes sociais e tipo de jogos e aplicativos ela interage. Essa supervisão deve ser feita de maneira empática e aberta, para que a criança se sinta confortável de falar a verdade e mostrar o que realmente faz na internet para o cuidador”, afirma o

psicólogo Mello.

 

Veja abaixo uma pesquisa realizada pelo Digital Diaries - AVG Technologies:

 

 Portanto, estamos em uma sociedade em que os jovens do futuro podem ter sérios problemas nas relações sociais cara a cara, pois as   amizades prevalecem no meio virtual. Isso gera uma perda na qualidade de vida. Os pais precisam tentar reverter essa tendência e influenciar o convívio em sociedade. "Ter os logins e senhas de acessos das crianças também é uma forma de monitorar, a fim de evitar alguma situação inadequada para a criança”, diz Mello.

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