• Por Jeniffer Jesus

Um pedacinho do Egito Antigo em Curitiba

Museu Egípcio desperta o imaginário de seus visitantes com curiosidades da múmia Tothmea

O museu conta com 200 peças em exposição, que são trocadas de dois em dois anos. (Crédito: Jeniffer Jesus)

Quando se fala de Egito, uma das primeiras coisas no imaginário da maioria das pessoas são pirâmides, faraós e múmias. O Museu Egípcio, situado em Curitiba e mantido pela Ordem Rosacruz (Amorc), traz a possibilidade de despertar outras percepções em seus visitantes. O acervo contém 700 peças, das quais 200 estão em exposição, de acordo com a temática atual.

A supervisora cultural do Museu, Vivian Tedardi, 35 anos, conta que a Ordem Rosacruz, na década de 1980, recebeu um acervo de um artista plástico chamado Eduardo D'Ávila, que originou o museu. A princípio, só havia réplicas, mas em 1995 isso foi modificado. "Nós recebemos a doação de um museu RosaCruz, dos Estados Unidos, que fica em San José, na Califórnia, da Múmia Tothmea; aí realmente acrescentando uma peça original ao museu", conta Vivian.

A Múmia Tothmea já estava em outro museu, porém não estava sendo exposta. Segundo a supervisora, o ex-presidente da Amorc, Charles Vega Parucker, solicitou a doação. "Essa múmia veio em um caixão, de avião, e veio como se fosse o transporte de um morto mesmo [...] a diferença é que era uma mulher com cerca de 2.600 anos", relata.

Réplica da múmia do Faraó Tothmés IV. (Crédito: Jeniffer Jesus)

A peça original chegou ao Brasil com os ossos da face danificados, porém entre 2000 e 2001, com um projeto denominado Projeto Tothmea, iniciado pelo arqueólogo Moacir Elias Santos, foi realizado a restauração da múmia, através da colagem dos ossos da face e também tratamento com relação a fungos. "Ela ficou dentro de um plástico com certos produtos específicos para poder matar os fungos do próprio corpo", fala a supervisora.

A manutenção é feita através da troca de sílica, um produto que ajuda a baixar a umidade, monitorada através de um termômetro que deve estar sempre abaixo de 50%, pois acima é necessária outra sílica. Vivian relata ainda que dentro da sala onde está a múmia há um ar condicionado específico, "com uma temperatura um pouco mais baixa”. De acordo com a responsável, o que importa mesmo não é a temperatura, mas sim o fato de que o ar ajuda a secar o ar do ambiente. Além disso, nenhum foco de luz deve ficar direcionado para o corpo embalsamado, todos devem ser voltados para as paredes.

Tothmea, junto com as peças menores, estão inseridas dentro de vitrine. Se o visitante desejar obter uma fotografia, é necessário que seja sem flash.

A mudança de exposição é feita de dois em dois anos. "Nós procuramos relacionar as nossas peças aos textos produzidos no Egito Antigo. Esse é o objetivo da mostra no momento", afirma Vivian.

Atualmente a exposição é sobre a Literatura do Egito Antigo, dividas em três salas, além de uma antecâmara e a câmara onde se encontra a múmia Tothmea.

(Crédito: Jeniffer Jesus)

O estudante Filipe Igor, 15 anos, ficou sabendo do museu através de sua escola. "De início eu não queria visitar, mas depois achei bacana", diz Filipe.

"Acho que a gente realmente consegue passar ao visitante uma outra impressão do Egito, além de múmia, embora a Tothmea acaba sendo nossa grande garota propaganda", finaliza a supervisora cultural.