Redes sociais se tornam válvula de escape durante o isolamento social

10.07.2020

Com a quarentena as pessoas evitam sair de casa. Resultado: redes sociais registram crescimento e pessoas descobrem novas habilidades e novos negócios

 

 Cantora Barbara Daran de 26 anos, com o isolamento social descobriu seu talento para maquiagem artística. (Crédito: Reprodução/Instagram)

 

Desde que o Corona vírus se alastrou pelo mundo, vários países entraram em alerta e começaram a tomar medidas preventivas rigorosas para evitar a propagação do vírus. No Brasil, a medida de isolamento social foi mais tardia do que o esperado, mas depois de vários decretos o comércio foi fechado. Shoppings, academias e muitos outros serviços suspenderam suas atividades por tempo indeterminado, liberando seus funcionários para ficarem em casa.


As pessoas começaram a adquirir vários hábitos para se acostumarem com a nova rotina, como maratonar séries, começar a prática de exercícios, cozinhar, ler, escrever entre várias outras atividades que pudessem de alguma forma entreter. Nesse momento de pandemia as redes sociais se tornam grandes aliadas das pessoas durante o isolamento, que como resultado mostra que nunca havia se visto tantas pessoas conectadas e interagindo pela internet. São posts que falam desde maquiagem, dicas para nichos específicos nas redes, treinos de academia, vídeos cômicos, challenges (traduzido como desafios) do Tik Tok, cover de músicas, até fotografias com cenários montados com objetos comuns que podem ser encontrados em casa.


Tik Tok se tornou o aplicativo do momento. A rede social que possibilita a criação de vídeos curtos e divertidos, tornou-se o segundo aplicativo mais baixado no mundo no final de março. Segundo dados coletados pela firma de consultoria SensorTower, o aplicativo já ultrapassou os 2 bilhões de downloads somando a App Store e o Google Play Store. Nessa rede social muito dos vídeos postados viralizam rendendo milhões de visualizações, e se antes era muito usado por jovens e digital influencers, hoje pessoas de todas as idades estão entrando na onda.


Murilo Agottani, estudante de Rede de Computadores, passa bastante tempo nas redes sociais: "Vejo como uma das poucas formas das pessoas saírem do tédio e da monotonia de ficar em casa”. Agottani está no último ano da faculdade, e com a medida de isolamento social passou a estudar de casa. Mas quando não está realizando os trabalhos e atividades da faculdade, o estudante procura as redes sociais para relaxar e se distrair, sendo os vídeos cômicos os seus favoritos. "Acho muito importante que as pessoas estejam ocupando suas cabeças com a internet, pois surge muita coisa criativa no meio de tudo isso e é legal de acompanhar. Às vezes a pessoa acaba descobrindo um talento que nem sabia que tinha”, comenta Agottani.


É o caso da cantora Barbara Daran de 26 anos, que antes do isolamento social começar estava com a agenda cheia, mas com a medida precisou cancelar todos os seus compromissos. “Nos primeiros vinte/trinta dias eu fiquei muito mal. Não estava produzindo nada de música, pois não consigo cantar quando não estou me sentindo bem”, conta ela. Com o estresse pela nova rotina e a falta de vontade de cantar, Barbara então começou a estudar maquiagem e acabou descobrindo uma forma que a ajudava a se acalmar gerando inspiração para voltar a compor suas músicas. Com o seu trabalho que dependia unicamente de pessoas e aglomerações sendo afetado, a cantora passou a buscar renda através das edições de vídeos feitos em casa. Foi assim que ela descobriu seu talento para a maquiagem artística. Os vídeos  ganharam um charme especial. Além da música, a cantora adicionou a arte em seu rosto.


As redes sociais se tornaram uma válvula de escape para muitas pessoas, que têm buscado dicas de alívio de estresse, atividades para fazer em casa, receitas fáceis como trabalhar e lidar com as crianças em casa, entre outros. Segundo estudos da consultoria Kantar, os aplicativos Facebook, WhatsApp e Instagram tiveram um pico de crescimento de 40% no mês de março. Outra rede que também demonstra crescimento é o Pinterest, que hoje tem 38 milhões de usuários no Brasil. A plataforma teve uma alta histórica de interações durante as primeiras semanas da quarentena. Se antes o brasileiro passava de 2 a 3 horas e meia nas redes sociais, com o isolamento esse número passou a ser de 9 horas e 29 minutos todos os dias.

 

Valeria Goes, de 22 anos, trabalha como consultora de beleza, mas quando o comércio fechou passou a ter mais tempo livre podendo se dedicar a estudar mais sobre maquiagem. Pelo Instagram ela começou a postar vídeos fazendo com que o seu trabalho fosse mais visualizado e as pessoas pudessem a conhecer melhor. Também usuária do aplicativo Tik Tok, Goes mesclou a maquiagem com os desafios divertidos da plataforma, onde consegue uma interação maior com os seguidores. “É algo que passa o tempo e eu gosto de fazer”, fala a consultora. Os vídeos que são curtos e animados, fazem com que as pessoas parem para assistir, comentem e interajam com Goes.


Para a Psicóloga Andressa Leme, “Esse período nos coloca em um exercício de muita adaptação, o que pode influenciar a saúde mental das pessoas”. Segundo Leme, é essencial o papel das redes sociais, pois traz um senso de pertencimento e comunidade, sendo através dela que vamos nos comunicar, expressar e se inteirar sobre tudo o que está acontecendo no mundo. Entretanto, a psicologa alerta que é preciso refletir também sobre o mau uso dessa tecnologia, pois dependendo do material que está sendo consumido, a rede social pode acabar desencadeando gatilhos, aumentando ainda mais problemas como ansiedade.

 

Valeria Goes de 22 anos, trabalha como consultora de beleza e posta nas redes sociais vídeos do seu trabalho. (Crédito: Reprodução/Instagram)

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