• Tacila Ramalho

Desafios de recém formados na inserção no mercado de trabalho

Empreender não é uma tarefa fácil, mas tem sido uma possibilidade para muitos jovens.


Se formar na faculdade é um sonho para muitos. São anos dedicados ao estudo e aprimoramento, para um dia exercer a profissão. Entre tantos sonhos e expectativas após a conclusão da faculdade, vem a procura de um emprego na área, por vezes, essa busca por um trabalho é bem desafiadora.


Isso não foi diferente para Fernanda Daniela Figur Bischoff, 24 anos, que se graduou em medicina veterinária em março deste ano.




Foto: Arquivo pessoal



“Iniciei a busca por emprego em 2021, antes de terminar o curso. Prestei prova para residência e passei em primeiro lugar na fase teórica objetiva, porém na etapa de avaliação de currículo acabei ficando para trás”, relata a médica veterinária.


A realidade é que encontrar um emprego não é uma tarefa fácil, especialmente nos últimos dois anos devido a pandemia do Coronavírus. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há cerca de 11,9 milhões de desempregados no Brasil, o que representa 11,1% da população economicamente ativa.




Informações obtidas no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


“Distribui currículos em quase todas clínicas veterinárias da cidade e algumas agropecuárias, porém não fui chamada por nenhuma delas. Algumas já me relataram na hora da entrega que não iriam chamar para entrevista, pois uma médica veterinária iria custar muito. Já as empresas antigas querem profissionais com experiência, especializações e pós-graduações, não havendo espaço para profissionais recém formados”, conta.


Os desafios enfrentados por aqueles que acabaram de sair da faculdade são vários: inexperiência, falta de recursos para empregar e até mesmo a alta concorrência.


“A pandemia favoreceu estudantes que estavam há anos tentando se formar e não conseguiam, como não haviam aulas presenciais e nem provas práticas, além de haver a possibilidade de adiantar matérias e provas online permitindo consulta, muitos estudantes que estavam ‘estacionados’ conseguiram se formar. Outros acadêmicos que estavam em turmas mais novas conseguiram adiantar matérias e se formar mais rápido e quem perdeu um ano no início da pandemia, acabou se formando junto nessa turma, o que fez com que muitos profissionais na área veterinária fossem liberados para o mercado de trabalho ao mesmo tempo”, pontua.


Foto: Arquivo pessoal.


Uma das opções encontradas por Fernanda para driblar o cenário dificultoso da procura de emprego, foi abrir o próprio negócio. Empreender não é uma tarefa fácil, no entanto ela tem sido encarada por muitos brasileiros.


“Minha vontade quase instintiva de ajudar os animais me levou à graduação em medicina veterinária, que acredito ser minha vocação. Quando não encontrei espaço no mercado de trabalho para ser contratada, pensei: Por que não criar meu próprio emprego? Desde então venho planejando a abertura de um estabelecimento comercial veterinário.”


Conforme dados divulgados pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM) em parceria com o Sebrae Brasil, em 2021 o Brasil registrou mais de 3,9 milhões de novos empreendimentos formalizados como micro e pequenas empresas (MEIs), um crescimento de 19,8%, comparado ao ano anterior.


“Os principais desafios têm sido os altos preços dos aluguéis de salas comerciais e a burocracia que envolve a criação de um empreendimento, especialmente quando se trata de oferecer atendimento veterinário que além de toda documentação para criação de uma empresa, exige também a documentação específica de um estabelecimento que trata de saúde, como registros no Conselho Regional de Medicina Veterinária e coleta de lixo hospitalar”, relata Fernanda.


No Brasil, o grupo crescente no setor de micro empresas é de jovens na faixa etária entre 18 e 24 anos, formando 55% dos novos investidores. As mulheres representam 49% deste crescimento.


No entanto, nem sempre as instituições de ensino estão preparadas para capacitar os acadêmicos a abrir o seu próprio negócio, pontua Fernanda Bischoff "saímos da faculdade completamente despreparados para o empreendedorismo, sem noção nenhuma de como abrir uma empresa ou de nossas opções como autônomo, CLT ou portadores de CNPJ”.


Dicas para conquistar o primeiro emprego na área


A especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho, Tatiana Esch Moraes, compartilha algumas dicas que você poder aplicar em sua vida acadêmica, que podem te ajudar a conquistar o seu tão sonhado espaço no mercado de trabalho, após a entrega do canudo:


  1. Leia muito. A leitura proporciona inúmeros benefícios, entre eles o desenvolvimento do vocabulário e conhecimentos gerais;

  2. Busque outros conhecimentos que vão além da faculdade, afinal de contas, não vão te ensinar tudo durante o curso;

  3. Trabalhe as habilidades comportamentais (soft skills) que te auxiliem a resolver problemas além da parte técnica;

  4. Realize networking com profissionais do ramo;

  5. Participe de projetos de extensão oferecidos ao longo do curso, eles colaboram no currículo e trazem experiência.


“Infelizmente não existe uma fórmula mágica, mas sim uma junção de vários fatores que colaboram na conquista do emprego. É preciso estar em constante movimento e nunca parar de se aprimorar”, pontua Tatiana Esch.