• Rhúbia Ribeiro

Intoxicação alimentar em animais é frequente, mas tem como evitar

Especialistas alertam sobre os perigos em alimentar animais com comida de humanos



Valentina foi adotada em 2020 (Crédito da foto: Bianca Portela)


A intoxicação alimentar em cães é frequente quando os donos oferecem alimentação humana aos animais. Foi o que aconteceu com Valentina, uma Pitbull adotada por Bianca Portela no último ano e que comeu sardinha. “Ela não comia nada, não bebia água, ficava tristinha e só deitada, e vomitou algumas vezes”, relata Portela. “Comprei um remédio que o veterinário indicou e três dias depois ela melhorou”, completa.





Quando isso ocorre, segundo o veterinário Rafael Augusto, os sintomas podem ser isolados ou em conjunto. Provoca salivação, pupilas dilatadas, desidratação, apatia, sintomas neurológicos, entre outros. Segundo um estudo feito pela Revista Veterinária em Foco, os casos de intoxicação são diagnosticados frequentemente em cães domésticos, chegando a 80%. Em gatos a ocorrência é três vezes menor que a canina. Os casos acontecem geralmente na ingestão de chocolates, alimentos ricos em açúcares, alho, cebola e uvas, entre outras.


O estudo ainda revela que a cebola e o alho são capazes de oxidar a hemoglobina e metahemoglobina nos pets, provocando a diminuição de oxigenação nos tecidos, motivando uma hipóxia. Não há relatos de intoxicação no consumo de chás e cafés, porém estes devem ser mantidos fora do alcance dos animais, já que contêm componentes tóxicos encontrados no consumo de remédios humanos com cafeína.


As frutas, como abacate, nozes-de-macadâmia, uvas e uvas passas, bem como balas, confeitos e outros alimentos contendo xilitol (utilizado em produtos industrializados), também podem fazer mal à saúde dos animais e devem ser evitados.


Confira alguns dos alimentos humanos que não devem ser ingeridos por animais:



A ingestão excessiva de sal é rara, mas tende a ocorrer em animais sem água potável, ao consumirem massa de modelar caseira, ou na ingestão excessiva de água do mar.


“A intoxicação por sal já ocorreu pelo seu uso como emético (para provocar vómito) em uma cadela da raça Pinscher, que recebeu 100 gramas de sal após ingestão de chocolate, a qual apresentou sinais de insuficiência renal e cardiomiopatia dilatada irreversível”, explica o estudo.


Como evitar a intoxicação


O correto é oferecer ao animal apenas a ração, conforme a categoria e idade. “Existem petiscos para agradar. Nunca a comida de casa. Pode até dar, mas não tem como dosar a quantidade de proteínas e vitaminas. A ração bem balanceada, tanto gato como cachorro”, diz o veterinário.


Em caso de ingestão, uma dica é o carvão ativado, um medicamento que absorve toxinas e químicos do corpo. Segundo o veterinário, o carvão não é absorvido pelo organismo e pode ser fornecido ao bichinho. Além disso, pode ser ministrado também o remédio dipirona, mas só até a chegada ao veterinário, pois o diagnóstico do profissional é fundamental.


Intoxicação por planta ou veneno


Bob se intoxicou ao ingerir folhas da árvore Tuia-holandesa ou a Tuia Ocidentalis, popularmente conhecida como "mini pinheirinho de natal. (Crédito da foto: Andressa Beraldo)

O caso do Bob, um vira-lata criado por Andressa Beraldo, é um pouco diferente. Ela mora em Campo Largo (PR) e sempre gostou de animais. “Tenho animais desde pequena, sempre gostei dos bichinhos, gosto de todos, gato, cachorro, passarinho”, conta. O Bob nasceu de uma cadela que ela teve, mas, em 2016, ele assustou a família ao comer pedaços da árvore Tuia-holandesa que tinha no quintal.


Segundo a dona, o Bob foi levado ao veterinário, medicado e permaneceu em observação. Hoje, “está bem, terrível e forte”, completa. Já a árvore, teve que ser cortada para o pet não comer mais. Para o veterinário trata-se de um fator antinutricional.




“Alguns elementos são fatais se não forem diagnosticados rapidamente: raticida, um organofosforado, extremamente tóxico e leva à morte. A intoxicação alimentar não leva tão rapidamente, mas pode também”, finaliza Rafael Augusto.