O Som da Agulha e o Risco do Papel: Por que os Jovens Estão Voltando ao Analógico
- Revista EntreVerbos

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Discos, filmes fotográficos, livros e escrita à mão: a Geração Z resgata o tátil para desconectar do caos digital.
Autora: Gisllainne Canuto
Numa era em que o acesso a milhões de músicas está a um toque de distância no celular, o ritual de retirar um disco de vinil da capa, posicionar a agulha com precisão e esperar o leve estalo antes da primeira nota parece um anacronismo. No entanto, para a estudante de Design, Beatriz Souza, de 21 anos, esse processo é a parte mais importante do seu dia. "No Spotify, a música é utilitária, é ruído de fundo. No vinil, eu sou obrigada a parar e ouvir o álbum como o artista planejou. É um compromisso com o momento", explica.
O fenômeno que Beatriz descreve não é isolado. O movimento, apelidado por especialistas como "Resistência Analógica", reflete um cansaço da intangibilidadwe virtual. Além da música, a escrita manual ressurge como um pilar dessa tendência. Cadernos de couro, canetas-tinteiro e o simples ato de colocar o pensamento no papel, sem o corretor automático ou a luz da tela, tornaram-se ferrrmentas de meditação ativa.
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O charme da imperfeição e o peso das palavras
Para o fotógrafo amador Lucas Martins, 23, o que encanta no analógico é justamente a falta de controle. "No filme, você tem 36 poses. Cada clique custa dinheiro e você só vê o resultado dias depois. Há uma beleza no erro, no grão da imagem", afirma Lucas. Essa busca pelo erro autêntico se estende à literatura. Enquanto o Kindle oferece praticidade, o livro físico oferece memória.
Se você quer se aprofundar nessa relação entre o leitor e o livro, confira este material especial:

Ouça também: https://youtu.be/yTWtEUCjYjM?si=iZEh5atQ9cn8ewOG
Ricardo Almeida, dono de um sebo no centro da cidade há 30 anos, viu o perfil de sua clientela mudar drasticamente. "Antigamente, meu público era o colecionador de 60 anos. Hoje, metade das pessoas que entram aqui não tem nem 25. Eles buscam a experiência tátil e o prazer de folhear páginas amareladas", conta o comerciante.
A psicologia do tato: por que cultivar hobbies analógicos?
Psicólogos apontam que o retorno ao físico é uma resposta ao "Burnout Digital". Ter um hobbie analógico — seja a jardinagem, a pintura em tela ou a restauração de objetos — oferece uma sensação de ancoragem. A textura do papel de um livro, o peso de um disco e o cheiro de uma loja de antiguidades estimulam os sentidos que as telas de LED ignoram.
Até a escrita de cartas e diários tem sido usada como terapia. O tempo gasto para formar cada letra obriga o cérebro a desacelerar, processando emoções de forma que a digitação rápida e frenética não permite.
Embora o digital continue sendo a forma soberana de consumo pela sua praticidade imbatível, o analógico sobrevive como um refúgio. Para quem busca desacelerar em um mundo acelerado, a agulha que risca o disco e a caneta que risca o papel parecem ditar o ritmo de uma vida com mais presença e meos notificações.







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