Saúde mental ganha espaço no debate público, mas acesso ao tratamento ainda é desafio
- Revista EntreVerbos

- há 1 dia
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Autora: Helena Schmidt
Dados do Sistema Único de Saúde apontam crescimento da demanda por atendimento psicológico e psiquiátrico. Especialistas alertam para a necessidade de ampliar o acesso e a prevenção

Ansiedade, depressão e outros transtornos mentais deixaram de ser temas restritos aos consultórios e passaram a ocupar espaço central nas discussões sobre saúde pública no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram crescimento da procura por atendimentos relacionados à saúde mental nos últimos anos, especialmente entre adolescentes e adultos jovens.
O aumento da demanda ocorre em um contexto marcado por mudanças sociais, intensificação do uso das redes digitais, insegurança econômica e impactos que ainda permanecem após a pandemia de Covid-19. Especialistas destacam que o sofrimento psíquico não pode ser analisado apenas como uma questão individual, mas também como reflexo de fatores sociais e estruturais.

Segundo levantamento realizado a partir da plataforma TabNet/DataSUS, os atendimentos relacionados a transtornos mentais e comportamentais registraram crescimento em diversas regiões do país. O cenário reforça a necessidade de fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), responsável por oferecer acompanhamento por meio de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades básicas de saúde e serviços especializados.
Para a psicóloga Natály Molossi,o aumento dos registros pode indicar tanto uma ampliação dos casos quanto uma maior procura por ajuda profissional.
“Hoje existe mais informação sobre saúde mental e menos resistência em buscar atendimento. Isso contribui para o aumento dos diagnósticos e dos registros oficiais”, afirma.

A realidade dos números também aparece na experiência de quem enfrenta dificuldades emocionais no cotidiano. A advogada Anne Ferreira,
de 27 anos, relata que procurou ajuda após episódios frequentes de ansiedade.
“Eu tinha dificuldades para dormir, me concentrar e manter a rotina. O acompanhamento profissional foi fundamental para entender o que estava acontecendo”, conta.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que ainda existem desigualdades no acesso aos serviços de saúde mental, principalmente em municípios menores e regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.
O desafio, segundo pesquisadores da área, é garantir que o debate sobre saúde mental seja acompanhado pela ampliação efetiva dos serviços, formação de profissionais e fortalecimento das políticas públicas voltadas à prevenção e ao tratamento.
CAPS são a principal porta de entrada para atendimento especializado em saúde mental
O atendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é realizado por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), formada por Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), ambulatórios especializados e hospitais de referência. Os CAPS são considerados o principal serviço para acompanhamento de pessoas com sofrimento psíquico intenso, transtornos mentais persistentes e dependência de álcool e outras drogas.
Nessas unidades, os pacientes podem receber atendimento multiprofissional, incluindo consultas com psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e equipes de enfermagem. O encaminhamento pode ocorrer pelas unidades de saúde ou, em alguns casos, diretamente pelo usuário.
Especialistas destacam que a busca precoce por ajuda é fundamental para evitar o agravamento dos quadros clínicos. Sintomas persistentes de ansiedade, tristeza intensa, alterações de sono, crises emocionais frequentes ou dificuldades para realizar atividades cotidianas são sinais que merecem avaliação profissional. A ampliação do acesso aos serviços especializados é apontada como um dos principais desafios para fortalecer a política de saúde mental no país.







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