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A força da poesia marginal em Curitiba

Foto do escritor: Revista EntreVerbos
Revista EntreVerbos
há 3 horas
2 min de leitura

Em rodas de slam, mulheres e pessoas LGBTQIA+ transformam a palavra em território próprio.


Autora: Gabrielle Rocco


Integrantes do Slam das Gurias durante apresentação na Praça do Verbo Divino. Crédito: Gabriele Rocco
Integrantes do Slam das Gurias durante apresentação na Praça do Verbo Divino. Crédito: Gabriele Rocco

A Praça do Verbo Divino, em São José dos Pinhais, foi tomada por uma potência poética diferente. Em parceria com a Batalha do Jaco, o Slam das Gurias CWB levou uma de suas edições à Região Metropolitana. Criado em 2019, o coletivo se encontra todo último domingo do mês na Casa de Pandora, em Curitiba, e nasceu para garantir protagonismo a mulheres e pessoas trans diante da predominância masculina nas rodas tradicionais.


 O formato dessas batalhas é simples: poesias autorais de até três minutos, avaliadas por jurados da própria plateia. Os artistas dependem apenas da voz e do corpo. No recorte de gênero, porém, as regras ganham camadas de acolhimento e representatividade. Gabriela Carneiro, cofundadora do Slam das Gurias, aponta os efeitos dessa escolha: "A gente ter construído uma roda própria gerou um impacto enorme à nossa volta. Temos hoje artistas que estão se profissionalizando como cantoras, compositoras e MCs, que a gente viu nascer no projeto alguns anos atrás."


Mais recente no circuito, o Slam Vorazes surgiu em 2025 com o mesmo propósito: garantir protagonismo a mulheres e pessoas LGBTQIA+ pelas ruas e espaços de Curitiba. Além das batalhas de poesia, o projeto também promove rodas de conversa sobre identidade e sexualidade."O impacto que a gente espera causar é que as pessoas se sintam apropriadas da própria história, que falem o que sentem, seu entendimento de mundo e tudo aquilo que as oprime. Porque o slam é construído pelas minorias — e esperamos que elas se sintam representadas naquele ambiente", explica Heloísa Maia, coorganizadora do projeto.


Longe do amadorismo, os dois coletivos atuam com rigor institucional. Tanto o Slam das Gurias quanto o Slam Vorazes mantêm calendários alinhados ao circuito oficial do Slam Paraná e à etapa nacional do Slam BR, principal competição de poesia falada do país. Para entender o impacto social dessas batalhas, confira o vídeo abaixo com os relatos completos e análises das idealizadoras dos movimentos:


Esse impacto extrapola as ruas. Com a inserção do slam na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os coletivos têm avançado nas escolas por meio de oficinas voltadas à juventude. Para Emilly Maus, Slam Master e organizadora do Slam Vorazes, a poesia foi também um caminho pessoal. "Quando eu conheci a poesia marginal, essa arte me abraçou", diz ela. "Além da gente se conhecer e se interpretar, essa arte vem da multiplicação — de como você pode tocar o outro." 


Emilly Maus em performance poética no Slam Vorazes (21/06), sediado no Edino Cultural. Crédito: Gabriele Rocco 
Emilly Maus em performance poética no Slam Vorazes (21/06), sediado no Edino Cultural. Crédito: Gabriele Rocco 

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