Do expediente ao cuidado: como servidores públicos usam o esporte para proteger a saúde mental
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- há 14 horas
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Autor(a) Priscila da Silva Duarte
Em meio a prazos, cobranças institucionais e rotinas intensas, servidores públicos têm recorrido à prática esportiva como estratégia para preservar a saúde mental. Mais do que lazer, o cuidado com o corpo passa a ocupar papel central na busca por equilíbrio emocional, especialmente em um contexto de maior atenção ao tema.
A relação entre atividade física e saúde mental é reconhecida por especialistas. O psiquiatra Vinicius Belinatti afirma que o exercício contribui para a prevenção e o tratamento de quadros como ansiedade, depressão e burnout. Segundo ele, a prática deve ser entendida como um dos pilares do bem-estar, ao lado do sono, da alimentação e das relações sociais. Práticas como o pilates também têm sido associadas à melhora do equilíbrio emocional, como já abordado em reportagem da revista Entreverbos.

O debate ganha visibilidade ao longo de maio, com datas como o Dia da Saúde Mental Materna (4) e o Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18), que reforçam a importância de discutir o tema em diferentes contextos, incluindo o ambiente de trabalho. No setor público, essas reflexões dialogam com jornadas extensas, pressão por resultados e limitações estruturais. A recente atualização da NR-01 ampliou o olhar sobre riscos psicossociais, como estresse e sobrecarga.
Nesse cenário, iniciativas institucionais começam a surgir. No Instituto Federal do Paraná (IFPR), o programa Vida Plena busca ampliar o acesso dos servidores a práticas voltadas à qualidade de vida. A enfermeira do trabalho Silvia da Silva Rocio, integrante da equipe responsável pela implementação, explica que a proposta é facilitar o cuidado com a saúde física e mental, inclusive em regiões com menor oferta de serviços.
Áudio: Silvia da Silva Rocio explica a escolha da plataforma Wellhub no programa Vida Plena. Crédito: Produção própria
Uma das estratégias adotadas foi a utilização da plataforma Wellhub, que reúne opções de atividades físicas, acompanhamento nutricional e recursos voltados à saúde mental. O acesso ocorre por meio de edital interno, com plano digital gratuito para os participantes. A expansão desse tipo de iniciativa também tem alcançado o setor público, com programas voltados a servidores, como aponta reportagem do InfoMoney.
Dados do programa indicam adesão significativa: cerca de mil servidores inscritos, de um total de 1.500 vagas, com mais de mil registros de uso em um período recente, incluindo atividades físicas e aplicativos de meditação.

Apesar dos avanços, especialistas alertam que o acesso a plataformas digitais, isoladamente, não resolve problemas estruturais relacionados à saúde mental no trabalho. Para além do incentivo à prática esportiva, apontam a necessidade de revisão das condições laborais, organização das jornadas e fortalecimento de políticas institucionais de cuidado.
Para a servidora pública federal Cássia Cristina Moretto, a experiência tem impacto direto na rotina. “Facilitou a criação de hábitos mais saudáveis e contribuiu para a minha qualidade de vida”, afirma.
A discussão também se conecta ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3, da Organização das Nações Unidas, voltado à promoção da saúde e do bem-estar. Nesse contexto, a prática esportiva se consolida como ferramenta relevante, ainda que não suficiente, na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis.







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